O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista ao programa Sem Censura nesta sexta-feira, 22, que conversou com o presidente Donald Trump sobre o combate ao crime organizado no Brasil. Os EUA chegaram a considerar a inserção de facções criminosas brasileiras na lista de narcoterroristas.
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"Vamos ter uma política muito forte de combate ao tráfico de armas e à venda de armas. Foi uma das coisas que eu conversei com o Trump. Você quer combater o crime organizado? Nós queremos também. Você quer combater o narcotraficante? Nós também queremos", disse o chefe do Executivo.
De acordo com Lula, grande parte das armas apreendidas pela Polícia Federal (PF) são provenientes dos EUA. Na conversa citada pelo presidente, ele teria entregue à Trump um documento, prática que tem adotado em todas as conversas que tem com ele.
"As pessoas, quando têm 80 anos, têm facilidade de esquecer", brincou. "Eu faço questão. Levei quatro documentos, portanto, o trabalho é o seguinte: não entreguei só o documento, eu espero que você leia à noite e não deixe na sua burocracia. Como presidente, eu sei como funciona, às vezes a gente recebe um documento e nunca mais o vê", acrescentou.
Lula também destacou que ele tem mais experiência à frente da presidência de um país do que Trump. Em relação à ameaça do presidente dos EUA de transformar as organizações criminosas como narcoterristas, o presidente brasileiro disse que é necessário "aprender a lidar" com os norte-americanos.
"Mesmo que fosse o Biden, Clinton ou Obama. Os americanos têm uma certa mania de primeiro transformar os adversáriso deles em inimigos. Para eles, a cara da América Latina é droga e tráfico quando, na verdade, ele deveria se preocupar com quem consome", afirmou.
Questionado sobre a 'química' citada por Trump durante o encontro deles na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro do ano passado, o presidente declarou que acredita que a 'química' pode acontecer com todos os seres humanos.
"Eu e Trump conversamos por 29 segundos. Peguei na mão dele e falei: 'Temos que conversar. Somos dois presidentes de países grandes e precisamos conversas'. E acabou. Aí ele disse que rolou a química", completou.