O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta quinta-feira, 30, ter dificuldade para indicar um sucessor. O petista disse que decidiu disputar um quarto mandato porque não há hoje nenhum nome capaz de "derrotar a extrema direita" nas eleições de 2026.
"Acontece que tem momentos na política e no futebol que você não tem a quantidade de craque que você queria", afirmou o presidente em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, no YouTube.
Lula disse, porém, que não desistiu de formar sucessores. Ele citou as candidaturas de Dilma Rousseff, em 2010, e de Fernando Haddad, em 2018, como exemplos. Segundo o presidente, novos nomes do partido podem surgir daqui a quatro anos, a partir das eleições estaduais de 2026.
Lula afirmou, ainda, que não queria ser candidato neste ano. "Meu desejo, se eu pudesse, era descansar com a minha namorada, com a minha Janjinha (a primeira-dama). Mas é o seguinte, eu não vou deixar a extrema direita voltar. A verdade é que no momento hoje não tem ninguém para poder derrotar essa gente", disse o presidente.
Lula afirmou que sua forma física está melhor do que quando tinha 57 anos e venceu sua primeira eleição. O petista tem 80 anos e deve ter como principal adversário na campanha à reeleição o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45.
Aliados do presidente preveem que a diferença de idade pode ser um tema da campanha eleitoral. Em março, Flávio se referiu a Lula como um "Opala velho", em referência ao carro da Chevrolet lançado em 1968.
A estratégia petista para enfrentar críticas etaristas vai passar, como mostrou a Coluna do Estadão, por reforçar a ideia de vigor físico de Lula para mais quatro anos de mandato e a "experiência" para encarar situações difíceis.