BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira, 30, que o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, tentará interferir nas eleições brasileiras para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "Eles vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá a ganhar as eleições", declarou Lula em entrevista ao Podcast Inteligência Ltda.
Apesar da avaliação, o petista afirmou que este cenário não o preocupa e voltou a criticar o que classifica como "mentiras" contra o Brasil. "Eles querem que a América Latina volte a ser quintal dos Estados Unidos. E o que eu estou dizendo claramente: ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós vamos ganhar na narrativa. Cada mentira que contarem a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar", disse.
Lula rebateu ainda a tentativa de questionar as urnas eletrônicas: "Se a urna eletrônica permitisse fajutagem, esse ser humano não seria presidente da República. Porque jamais a elite política brasileira ia deixar um metalúrgico ganhar as eleições".
O presidente disse ainda que ficou "obcecado" com a defesa nacional após ações do governo de Donald Trump. "Depois do Trump, estou obcecado pela defesa", disse.
"O Brasil tem 16.800 km de fronteira seca, 8 mil km de fronteira (marítima), tem petróleo no fundo do mar, petróleo em terra, minério. A gente tem que tomar conta disso, se não qualquer um pode vir aqui e tomar da gente", declarou.
Lula diz que não há nada neste mundo que mereça estar sob sigilo
Lula disse também ser "radicalmente contra" a imposição de sigilo de 100 anos sobre ações do governo e defendeu que a regra só seja aplicada a assuntos de Estado ou de segurança nacional. "Se um jornalista pedir uma informação e o responsável negar para ele, pergunte para mim, que eu vou dizer. Porque não há nada nesse mundo que mereça estar sob sigilo", declarou o petista.
Lula afirmou ainda que mesmo os documentos que estão sob sigilo de 20 ou 30 anos "nem mereciam ter".
Apesar das declarações do presidente, como mostrou o Estadão, nos últimos três anos, um em cada três pedidos de informações rejeitados pelos ministérios e pelas instituições públicas vinculadas ao governo federal foram embasados no fato de os dados solicitados terem sido classificados como sigilosos.