Em visita ao Rio Grande do Norte para recuperar votos, o presidente Lula questionou a promessa de Flávio Bolsonaro de cortar R$ 250 bilhões em gastos públicos, alertando que medidas de austeridade costumam atingir os mais pobres. Flávio rebateu afirmando que preservará programas sociais, aposentadorias e o BPC, além de prometer reajuste ao Bolsa Família, embora seu cotado para a Fazenda, Marcelo Kayath, considere inviável um corte desse porte em apenas um ano e defenda um ajuste gradual.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado, 10, que é preciso que a sociedade comece a perguntar onde vai ser feito o corte de R$ 250 bilhões prometido pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, sempre que há esses cortes, é sobre os mais pobres e não os ricos. Ele falou com a imprensa durante visita ao Rio Grande do Norte.
"Quando o meu adversário diz que vai cortar R$ 250 bilhões, que vai ter um tesouraço, é preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde é que vai ser esse corte. Porque eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos...ele sempre corta dos pobres", afirmou.
O petista também disse que o País vive um momento de aferição se o mundo quer viver uma mentira ou uma verdade. Ele citou as instabilidades geopolíticas, a guerra no Irã e as medidas do governo para evitar uma alta excessiva do preço do preço dos combustíveis.
"Nós estamos vivendo um momento de aferição se o mundo quer viver uma mentira ou o mundo quer viver uma verdade. Que tipo de educação, que tipo de cultura, que tipo de saúde a gente deseja", declarou.
E seguiu: "É um momento de muita incerteza no mundo. Nós temos uma guerra na Rússia que já dura cinco anos, nós temos uma guerra no Irã com os Estados Unidos que trouxe um prejuízo extraordinário ao povo do mundo inteiro por conta do estreito de Ormuz".
Flávio diz que vai cortar gastos públicos, mas afirma que vai preservar programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular.
Nesta sexta, Flávio Bolsonaro disse que vai conceder aumento aos benefícios do Bolsa Família. O senador não detalhou, no entanto, como pretende fazer essa correção. "Bolsa família é sagrado, ninguém toca", disse o senador.
O candidato do PL negou, no entanto, que vá mudar a forma de aumento para as aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para cortar gastos, se for eleito.
"Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa. Das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo. Não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com reajuste de aposentadoria. Pelo contrário", afirmou mais cedo em conversa com jornalistas depois de receber o apoio formal do Podemos.
Um dos cotados para chefiar a equipe econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro, o investidor Marcelo Kayath, ex-Credit Suisse, considera inviável um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões (ele citou esse número, não R$ 250 bi) no período de um ano caso o candidato do PL seja eleito.
Em entrevista exclusiva ao Estadão, Kayath defendeu que a nova administração, se vitoriosa nas urnas, dê as premissas de um ajuste fiscal gradual, começando por um "choque de gestão".
Lula tenta recuperar votos no Rio Grande do Norte
Além de tentar impulsionar a campanha do candidato petista no Estado, Cadu Xavier - que adotou o nome de Cadu de Lula - contra Allyson Bezerra (União), o presidente visita o Rio Grande do Norte para tentar recuperar os votos perdidos na região em relação à eleição de 2022.
Governado pela petista Fátima Bezerra desde 2019, Lula perdeu no primeiro turno mais de 120 mil votos de vantagem em relação à disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 lá.
Na ocasião, Lula impôs uma vantagem de 641 mil votos contra Bolsonaro. Agora, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), essa diferença baixou para 517 mil.
Na avaliação dos integrantes da campanha de Lula, uma das razões de o presidente ter ficado atrás de Flávio no primeiro turno é a perda de votos no Nordeste em relação à disputa passada. Mesmo ainda sendo dominante na região, os votos este ano ficaram abaixo do que os petistas esperavam.