Lula antecipa estratégia de ataque a Flávio; aliados de senador dizem que efeito Lulinha ainda virá

Pesquisa Datafolha mostra que distância entre o presidente e o senador caiu

21 ago 2026 - 19h48
(atualizado às 20h00)
Resumo
Após inquéritos da PF contra Lulinha e a queda de vantagem nas pesquisas contra Flávio Bolsonaro (39% a 33%), a campanha de Lula antecipará ataques ao senador no horário eleitoral. A estratégia petista buscará neutralizar o escândalo comparando a postura republicana de Lula à suposta interferência de Jair Bolsonaro na PF para blindar o filho, além de explorar suspeitas financeiras envolvendo pedidos milionários de Flávio a um banqueiro.

BRASÍLIA - O comando da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição decidiu antecipar a estratégia planejada para tentar desconstruir a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ofensiva estava programada para meados de setembro, mas, diante do escândalo provocado pelo vazamento de inquéritos da Polícia Federal envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, a artilharia irá ao ar logo nos primeiros dias do horário eleitoral, que começa em 28 de agosto.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 21, mostrou que a distância entre Lula e Flávio diminuiu. Mesmo assim, o presidente está na dianteira. Na simulação de primeiro turno, Lula tem 39% e Flávio, 33%. Na segunda rodada, o petista marca 47% e o candidato do PL, 43%.

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O levantamento é o primeiro desde o início oficial da campanha e coincide com o avanço das investigações da Polícia Federal, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Lulinha é alvo de três inquéritos, ao lado da lobista Roberta Luchsinger, que é sua amiga.

"Está tudo como dantes no Quartel de Abrantes e a pesquisa mostra um quadro de estabilidade, com o presidente liderando em todos os cenários", afirmou o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares. "O Brasil busca confiança, não instabilidade; busca verdade, nunca mentira. A sociedade brasileira quer respostas concretas, certezas, e não aventuras", completou.

Lula e Flávio: disputa apertada pela Presidência.
Lula e Flávio: disputa apertada pela Presidência.
Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão / Estadão

Um dos integrantes da campanha de Flávio disse, por sua vez, que a pesquisa não mostra o "efeito Lulinha" sobre as intenções de voto porque as investigações estão apenas no começo. Na avaliação desse interlocutor, que falou sob a condição de anonimato, se as consequências do posicionamento de Lula sobre esse tema avançarem, haverá uma rápida mudança de quadro, com vantagem para Flávio.

Outra pessoa do núcleo duro da campanha avalia que a redução da distância entre Lula e Bolsonaro na medição do Datafolha, que era de dez pontos percentuais e hoje é de seis, trata-se mais de um desgaste do presidente da República do que um mérito do próprio senador. E também avalia que o impacto do caso Lulinha será decantado ao longo da campanha eleitoral.

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A Polícia Federal suspeita que o filho do presidente e Roberta Luchsinger praticavam tráfico de influência no governo federal. Um dos contratos negociados por Roberta, que teria a anuência de Lulinha, dizia respeito à venda do medicamento canabidiol para o Ministério da Saúde, sem licitação. A iniciativa não foi adiante, mas, mesmo assim, a PF afirma que Lulinha era "beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome". Como revelou o Estadão, a PF diz que Lulinha também é citado como "destinatário de pagamentos" de empresário que tentou negócios com a Dataprev.

Embora o caso traga novamente à tona o tema corrupção, que tanto estrago causou ao PT depois dos escândalos do mensalão e do petrolão, a campanha do presidente já definiu uma estratégia pronta para enfrentar o tema.

Em um dos vídeos que vai exibir, o PT tentará mostrar que o então presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, interferia na Polícia Federal. "Eu não vou esperar f.... a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar!", disse Bolsonaro em reunião ministerial de 22 de abril de 2020. "Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira".

A narrativa do PT será de que, enquanto Bolsonaro tentava proteger Flávio, acusado de participação no escândalo da "rachadinha", Lula atua para que a PF investigue todas as denúncias, mesmo se atingirem o seu filho. A ideia do equipe petista é mostrar áudios com as declarações de Bolsonaro e de Lula.

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Além disso, a campanha do presidente vai cobrar explicações de Flávio sobre o dinheiro que ele pediu ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme Dark Horse, que conta a trajetória de Bolsonaro. O senador solicitou R$ 134 milhões a Vorcaro e o chamou de "irmão". O banqueiro pagou R$ 61 milhões.

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