Incerteza sobre Tarcísio e clã Bolsonaro deixa disputa em SP em aberto e sem candidaturas definidas

Divisão na direita sobre 2026 mantém São Paulo em compasso de espera; nomes dependem do aval de Bolsonaro e limitam destino de Tarcísio

3 jan 2026 - 04h59
Resumo
A indefinição política em São Paulo para 2026 reflete a prisão de Bolsonaro, a controvérsia em torno de Flávio como candidato presidencial e a hesitação de Tarcísio em deixar o governo estadual, enquanto partidos discutem possíveis nomes.
Tarcísio de Freitas ao lado de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, no período em que o presidente ainda não estava detido na Superintendência da Polícia Federal
Tarcísio de Freitas ao lado de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, no período em que o presidente ainda não estava detido na Superintendência da Polícia Federal
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Frente à inelegibilidade e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos cotados para ser seu sucessor ao longo de 2025. Embora ele negue que disputará a Presidência e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já tenha sido indicado pelo ex-mandatário para representar a extrema-direita no pleito, o xadrez político parece indefinido no Estado mais populoso do País. 

A maioria dos deputados estaduais ouvidos pelo Terra afirmaram, categoricamente, que Tarcísio será o candidato escolhido para disputar o cargo federal. Enquanto isso, o PL insiste que Flávio seguirá como primeira opção, mesmo diante da resistência ao nome dele dentro do campo da direita, apontada por pesquisas recentes, como a Genial/Quaest divulgada em 16 de dezembro.

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Jair Bolsonaro e seu filho aparecem como os políticos com maior índice de rejeição: 60%, segundo os dados levantados. Além disso, 54% dos eleitores brasileiros avaliam que o ex-presidente errou ao indicar o filho como seu substituto na eleição presidencial de 2026. Ambos estão à frente de Ciro Gomes (56%), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (54%) e de Tarcísio (47%). 

Já quanto a uma possível candidatura ao governo do Estado, caso o aliado de Bolsonaro saia na disputa pelo cargo presidencial, estão os seguintes nomes citados:

  • Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito de São Paulo
  • Felicio Ramuth (PSD), vice-governador de SP
  • André do Prado (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo
  • Guilherme Derrite (PP-SP), deputado federal
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), durante entrega de ônibus elétrico na cidade de São Paulo em novembro.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O cenário ainda não está montado

Para o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), Tarcísio é um "produto do bolsonarismo”. Ele classifica o político como “insignificante” do ponto de vista político antes do Bolsonaro, mas o vê como uma alternativa para as elites econômicas que não querem mais o ex-presidente no poder. 

Ele ainda pontua que para que isso ocorra, o republicano precisa ser autorizado por Bolsonaro e rumar mais ao centro para ser firmado com candidato. Caso esse cenário ocorra, ele aponta os nomes acima para disputar o cargo de chefe do Palácio dos Bandeirantes. “Tem esses nomes todos aí, que estão colocados, mas também não tem um nome bom de voto”, reflete.

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O deputado líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Antonio Donato, afirma que o cenário é complexo para o próximo ano e acredita que nem a direita saiba quem concorrerá ao cargo no governo do Estado. O parlamentar concorda com Gianazzi que a última palavra é de Bolsonaro. “Eles vão ter dificuldade de se unificar, porque vão ter vários”, citando os mesmos nomes do colega. 

Uma fonte ligada ao PSB afirmou ainda que os mais cotados são André do Prado e Ricardo Nunes, mas que sente que o nome de Derrite “já esfriou” como um possível candidato, pois ele está “mais focado no Senado”. 

“O próprio Ricardo Nunes, a gente sente ele se posicionando de uma forma mais bolsonarista ultimamente, querendo agradar esse eleitorado. E o André do Prado, o que eu sinto, é uma mudança grande de postura nele, no sentido de se expor mais, tem aparecido mais na mídia também”, reforça. 

Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo, falou com jornalistas durante velório de Ruy Ferraz
Foto: RAUL LUCIANO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

PL bateu o martelo?

Enquanto o cenário parece um pouco bagunçado e indefinido para os partidos de direita, para o PL ele parece bem montado. A deputada Rosana Valle (PL-SP) diz não saber se há outro político indicado para a presidência pelo partido e que Tarcísio mesmo tem dito que seguirá candidato em São Paulo. “Acho que é uma decisão acertada dele, porque tem muitas entregas a serem feitas nos próximos anos. Ele está fazendo uma excelente gestão no Estado de São Paulo e deve ser um grande apoiador do Flávio aqui”, declara.

Ainda há especulações que giram em torno do atual governador, no entanto, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), concorda com a colega de que o chefe do Palácio dos Bandeirantes já até manifestou apoio à Flávio, e portanto, seguirá como candidato estadual. 

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Tarcísio de Freitas já afirmou apoio à Flávio Bolsonaro
Foto: Foto: Reprodução via X

Enquanto isso, o líder do MDB na Alesp, Itamar Borges, acredita que Tarcísio é o nome para concorrer como chefe do Executivo. Segundo ele, o atual governador reúne credibilidade, equilíbrio e liderança suficientes para evitar “divisões e representar um projeto sólido para o Brasil”.

“Tarcísio é, sem dúvida, o melhor quadro para disputar a Presidência da República, e pelo que tenho acompanhado nos bastidores esse será o caminho”, declarou à reportagem. 

Contrapondo o que Borges disse, o cientista político Gustavo Menon, professor na Universidade Católica de Brasília (UCB) e no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM-USP), acredita que o primeiro turno do próximo pleito será bastante fragmentado em todos os cargos. 

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“Precisamos aguardar também aquilo que será, digamos, motivado em plataformas contra a corrupção e mais do que isso, como é que esses grupos atuam no sentido de tentar limitar o Poder Judiciário que conquistou essa independência nesse contexto de redemocratização do país”, diz sobretudo com relação aos candidatos do PL que enfrentam problemas judiciais, como o próprio Bolsonaro.

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O Terra tentou ouvir os demais partidos a respeito dessas questões, mas não teve retorno até o momento.

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Fonte: Portal Terra
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