‘Governabilidade' e 'impeachment de Moraes': por que a disputa pelo Senado será destaque na próxima eleição

Ao Terra, cientistas políticos avaliam o peso que disputa pelo Senado terá no próximo ano e comentam sobre como articulações devem se dar

4 jan 2026 - 04h59
O plenário do Senado Federal.
O plenário do Senado Federal.
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado / Estadão

Cinquenta e quatro das oitenta e uma cadeiras do Senado Federal serão renovadas nas eleições gerais do próximo ano. E o que está em jogo não são meras duas cadeiras por Estado: o Senado se tornou uma peça central no debate político. Para a direita, tem sido um espaço de confronto – principalmente frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para a esquerda, com Lula na presidência e a Câmara enfraquecida, ocupar o Senado representa governabilidade. Ao Terra, cientistas políticos avaliam que por mais que a eleição para a Casa sempre tenha sido crucial, agora há um “ingrediente a mais”. 

O cenário é de disputa entre os poderes Legislativo e Judiciário, e o Senado Federal está adentrando nessa crise justamente pela prerrogativa que tem de impedir a continuidade dos mandatos dos ministros do Supremo, aponta o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino.

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Por mais que tenham ocorrido pedidos nos últimos meses, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não pautar o impeachment de Alexandre de Moraes. A decisão de pôr a questão em votação cabe a ele, que segue no posto até fevereiro de 2027. Mesmo assim, esse pode seguir sendo um fator de pressão – principalmente se a direita conseguir se organizar em grande maioria.

“A extrema direita, de alguma forma, quer imprimir nas campanhas ao Senado essa ideia de que ali é um passaporte importante para a pressão sobre o Judiciário”, avalia Leandro. Nisso, a esquerda e o centro tentam se aliar para contrapor a torrente de candidaturas nessa linha. 

Por mais que as articulações pré-eleições estejam a todo vapor, ainda é cedo para prever como essa disputa se desenrolará. Isso porque todo candidato tem até abril para se registrar em um novo partido, mudar de sigla, atualizar seu domicílio eleitoral e, também, renunciar para concorrer a outros cargos. Apenas a partir disso os elementos começam a ficar mais concretos.

Até o momento, há alguns nomes de destaque pré-lançados. Como é o caso de Carlos Bolsonaro, que renunciou ao seu mandato de vereador no Rio de Janeiro para se lançar ao Senado por Santa Catarina, e do ex-ministro do Turismo de Lula, Celso Sabino. Outros seguem sendo “testados” em pesquisas eleitorais, e partidos continuam costurando como se apresentarão na próxima eleição.

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Ambiguidade

Embora o Senado tenha eleições estaduais, com os candidatos sendo lançados e escolhidos por maioria em cada Estado, há uma ambiguidade nesse processo. Isso porque o voto para o Senado no Brasil costuma ser decidido a partir do cenário nacional. E, por mais que isso já costume funcionar assim, em 2026, a questão deve ficar ainda mais evidente. É o que pontua Carolina de Paula, cientista política pesquisadora do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“O que está em jogo não são só as cadeiras, mas esse equilíbrio institucional que o Senado vem desempenhando, um papel muito importante na relação entre Executivo, Judiciário e Congresso. E a diferença dessa para outras eleições é que o Senado passou a ocupar esse centro do debate político de forma que não tínhamos visto em outros momentos no Brasil, inclusive no discurso público”, avalia.

Isso faz com que o Senado seja visto cada vez menos como um cargo técnico federativo, estadual, e cada vez mais como um projeto político mais amplo, que segue a disputa política nacional. “Ou seja, o Senado compõe a lógica das forças ‘direita’, ‘esquerda’ e ‘centro’, o que reforça a ideia de um alinhamento ‘do mesmo time’, independente se o meu jogador está lá no Norte e eu sou um eleitor do Sul”, explica.

A questão deve chegar desse jeito ao eleitor, mais simplificada, com os candidatos das diversas frentes políticas evidenciando “quem joga de qual lado”. É nessa formação de "grandes times" que muitas vezes pessoas tidas como desconhecidas costumam ser eleitas por serem indicadas por lideranças.

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"A gente tem só a lógica formal da eleição estadual, mas o que importa é como o jogo da política nacional que vai interferir na disputa do Senado", frisa Carolina. Segundo ela, eventuais ‘surpresas’ podem estar vinculadas ao quão fragmentada será a campanha eleitoral para o Senado --se realmente os candidatos representarão o eleitorado do determinado Estado por onde serão lançados e, também, se serão lançadas muitas candidaturas por local.

Oposição tem maiores bancadas

São sempre três senadores por Estado que ficam oito anos no cargo. Há cada quatro anos há renovação nas cadeiras: alternadamente, mudam um ou dois senadores por eleição. Na Eleição de 2026 é vez de renovarem dois terços dos senadores. 

No momento, a oposição é maioria. A maior bancada é a do Partido Liberal (PL), partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 15 nomes. O segundo maior partido que ocupa o plenário é o Partido Social Democrático (PSD), com 14 cadeiras. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) tem a terceira maior bancada, com 11 pessoas. O Partido dos Trabalhadores (PT), sigla do presidente Lula, tem 9 representantes no Senado.

Confira a configuração atual:

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Fonte: Portal Terra
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