BRASÍLIA - O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes está interferindo nas eleições e quer "só uma desculpinha" para tirar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da prisão domiciliar em que se encontra.
Flávio fez uma transmissão ao vivo na noite desta segunda-feira, 13, para comentar a decisão de Moraes de suspender por 90 dias o direito de visita de Flávio a Bolsonaro.
Em transmissão ao vivo nas redes sociais no sábado, 11, Flávio exibiu uma declaração escrita à mão pelo pai, em que ele diz que os seus apoiadores devem "deixar as diferenças" e chama o filho "01? de "meu porta-voz em quem confio". Flávio descumpriu a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de usar as redes sociais, inclusive por meio de terceiros, segundo a avaliação de Moraes.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena em prisão domiciliar humanitária em sua casa em Brasília, por questões de saúde.
"Está claro para todo mundo: interferência nas eleições", afirmou o senador na transmissão, relembrando que decisões anteriores do STF permitiram que Luiz Inácio Lula da Silva, então preso, pudesse concorrer nas eleições de 2022. "Essa desculpa esfarrapada, uma decisão impedindo o filho de falar com o próprio pai por 90 dias. Não coincidentemente, esse prazo se encerra após o primeiro turno das eleições. É ou não é uma tentativa de interferência nas eleições?", questionou.
Flávio disse que o ministro do STF vem tentando encontrar pretexto para revogar a prisão domiciliar de Bolsonaro, que precisa respeitar uma série de medidas de isolamento. Desde que passou a cumprir a pena em casa, depois de sair do hospital em março, o ex-presidente está impedido de receber aliados políticos, por exemplo.
"O que eu percebo é que o Alexandre de Moraes quer só uma desculpinha para tirar o meu pai da domiciliar (em) que ele se encontra", disse ele. "Acabou de acontecer uma busca e apreensão na casa do meu pai para ver se arrumava uma muniçãozinha, ou achando que o presidente Bolsonaro pudesse estar mentindo, e não encontraram nada. O Moraes quer tirar o meu pai da domiciliar para botar a culpa no filho", afirmou.
A Polícia Federal cumpriu na semana passada, sob ordem do STF, um mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro para procurar armas e munições. A diligência ocorreu após o ex-presidente ter entregado as oito armas registradas em seu nome, depois que uma delas foi apreendida em uma blitz no Distrito Federal, em junho. Para verificar se havia ainda outras armas na residência, Moraes determinou a busca e apreensão.
O senador mencionou outras quatro cartas divulgadas pelo ex-presidente, tanto por ele próprio quanto pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não desencadearam punições por parte do STF. Mas agora é a primeira vez que isso ocorre após a determinação da prisão domiciliar, quando Bolsonaro passou a ser proibido de usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, direta ou indiretamente, por intermédio de terceiros.
"Por que desta vez ele (Moraes) resolve questionar? Obviamente não estou descumprindo nenhuma decisão judicial dele. O presidente Bolsonaro nunca falou, pediu, deu a entender, decidiu, mandou ou se manifestou de alguma forma sobre eu publicar essa carta nas minhas redes", declarou.
Assim como a nota publicada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial do PL, Flávio mencionou o fato de Lula, quando preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato, ter se comunicado por diversas vezes por meio de cartas.
Flávio disse esperar que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) o apoie nesse caso, uma vez que o senador integra a defesa jurídica do pai no STF, e a proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado.
O presidenciável aproveitou a transmissão de mais de uma hora para falar com o eleitorado, mencionando propostas de políticas públicas para mulheres, segurança pública e o público jovem, por exemplo. E também fez ataques a Lula e ao PT, dizendo que a eleição de outubro será uma decisão entre o caminho das "trevas" e o da "liberdade".