Flávio cita Master, mas esconde o vínculo com Vorcaro em pedido de suspensão de tarifas aos EUA

Documento enviado ao USTR lista autoridades do governo ligadas à fraude do Banco Master, mas omite acordo do próprio senador com Vorcaro para financiar filme sobre o pai

2 jul 2026 - 17h07

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relatou aos Estados Unidos o envolvimento de diversas autoridades ligadas ao governo Lula com o escândalo do Banco Master. Ocultou, porém, a própria relação que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro. Os informes do senador e pré-candidato foram enviados ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em documento solicitando a suspensão da tarifa de 25% proposta contra o Brasil.

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No documento enviado aos EUA, ele classifica o escândalo como a "maior fraude bancária da história do país" e aponta proximidade entre o controlador do banco e o que chama de aparato governista.

Ele cita o ex-ministro Guido Mantega, contratado como consultor pela instituição; o ex-ministro Ricardo Lewandowski, cujo escritório foi contratado pelo banco pouco depois de ele deixar o Ministério da Justiça; o senador Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado, mencionado como receptor de benefícios indevidos.

Flávio também fala sobre o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Vorcaro como um sinal da proximidade do escândalo com o governo.

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O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado / Estadão

Além disso, Flávio fala sobre a relação entre Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele conta sobre o contrato com o banco de R$ 129 milhões.

No documento, Flávio disseca o caso Master como um argumento que responsabiliza o ministro Alexandre de Moraes pela taxação e, na sequência, pede a suspensão das tarifas.

Flávio sustenta que a origem do conflito com o governo americano está na carta enviada por Trump ao governo brasileiro em julho de 2025. No texto, o presidente dos EUA justifica a medida citando o tratamento dado a Jair Bolsonaro — classificado como "caça às bruxas" — e as "centenas de ordens secretas e ilegais de censura" contra redes sociais.

Por isso, Flávio argumenta que a tarifa "erra o alvo que seu próprio autor nomeou". Afirma, ainda, que uma taxação de 25% sobre toda a economia brasileira não atinge o ministro, mas recai sobre exportadores, importadores e consumidores.

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"Essa é a perversidade mais profunda da ação proposta. Uma tarifa não reconstrói [...] Em vez disso, recompensa o autor da conduta que alega punir", afirma o documento.

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