Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relatou aos Estados Unidos o envolvimento de diversas autoridades ligadas ao governo Lula com o escândalo do Banco Master. Ocultou, porém, a própria relação que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro. Os informes do senador e pré-candidato foram enviados ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em documento solicitando a suspensão da tarifa de 25% proposta contra o Brasil.
No documento enviado aos EUA, ele classifica o escândalo como a "maior fraude bancária da história do país" e aponta proximidade entre o controlador do banco e o que chama de aparato governista.
Ele cita o ex-ministro Guido Mantega, contratado como consultor pela instituição; o ex-ministro Ricardo Lewandowski, cujo escritório foi contratado pelo banco pouco depois de ele deixar o Ministério da Justiça; o senador Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado, mencionado como receptor de benefícios indevidos.
Flávio também fala sobre o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Vorcaro como um sinal da proximidade do escândalo com o governo.
Além disso, Flávio fala sobre a relação entre Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele conta sobre o contrato com o banco de R$ 129 milhões.
No documento, Flávio disseca o caso Master como um argumento que responsabiliza o ministro Alexandre de Moraes pela taxação e, na sequência, pede a suspensão das tarifas.
Flávio sustenta que a origem do conflito com o governo americano está na carta enviada por Trump ao governo brasileiro em julho de 2025. No texto, o presidente dos EUA justifica a medida citando o tratamento dado a Jair Bolsonaro — classificado como "caça às bruxas" — e as "centenas de ordens secretas e ilegais de censura" contra redes sociais.
Por isso, Flávio argumenta que a tarifa "erra o alvo que seu próprio autor nomeou". Afirma, ainda, que uma taxação de 25% sobre toda a economia brasileira não atinge o ministro, mas recai sobre exportadores, importadores e consumidores.
"Essa é a perversidade mais profunda da ação proposta. Uma tarifa não reconstrói [...] Em vez disso, recompensa o autor da conduta que alega punir", afirma o documento.