O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SC) usou as redes sociais para pressionar e cobrar a deputada estadual Ana Campagnolo (PL). O parlamentar quer um vídeo da candidata à reeleição e presidente do PL Mulher prestando apoio ao irmão Carlos Bolsonaro, que pleiteia uma vaga no Senado Federal.
"Prezada Ana Campagnolo, gravamos este vídeo há alguns meses, em mais um gesto de minha parte para buscarmos unidade contra o mal maior que é o PT. Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão Carlos Bolsonaro [...] Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir pra não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro. Posso contar com você?", disse o candidato à Presidência em comentário no Instagram.
A fala foi dada em reação a um vídeo publicado pela deputada estadual. Nas imagens, ela aparece ao lado do senador e faz um discurso sobre defender mulheres sem atacar homens. A publicação é do último sábado, 8.
Em resposta ao comentário de Flávio, a deputada catarinense disse que a gravação realmente ocorreu em maio, mas alegou ter recebido o material recentemente e sem qualquer combinação prévia sobre quando ou como publicá-lo.
"Programei sua divulgação para a véspera do Dia dos Pais, pela mensagem de conciliação entre homens e mulheres que ele carrega e também pelo fato de você ser pai de duas meninas", escreveu
Sobre a cobrança específica em relação a Carlos Bolsonaro, Campagnolo reforçou que segue alinhada às definições do PL em Santa Catarina.
"Estou à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha que possam fortalecer o projeto do PL. Até o momento, não recebi mais nenhuma solicitação nesse sentido, mas sigo à disposição", completou.
A candidatura de Carlos Bolsonaro já vinha causando desconforto no PL catarinense antes da cobrança feita por Flávio a Campagnolo.
Carlos teve mandato na Câmara Municipal do Rio por 24 anos, anunciou renúncia ao cargo para concorrer pelo estado catarinense, justificando a decisão como pessoal e negando que se tratasse de mero cálculo eleitoral.
A escolha de Santa Catarina para a candidatura integra uma estratégia mais ampla do bolsonarismo: o Estado foi um dos redutos mais fortes de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, quando venceu Lula por ampla margem no segundo turno.
A movimentação de Carlos gerou uma fratura interna no PL catarinense e custou a saída do senador Esperidião Amin (PP-SC), que integrava a chapa original ao lado de De Toni antes da chegada de Carlos. Amin rompeu com o governador Jorginho Mello (PL) e se aliou a João Rodrigues (PSD), que disputa o governo do estado.
Além disso, no fim de abril, Carlos e Campagnolo trocaram farpas nas redes sociais. O motivo foi uma foto que a deputada publicou cortando o ex-vereador do enquadramento. Ela atribuiu a um corte de imagem no momento do registro, mas que alimentou os rumores de desavença.