O Senado Federal informou nesta quarta-feira, 27, que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não apresentou requerimento de missão oficial com despesas para a Casa. Na última quinta-feira, 21, ele protocolou ofício comunicando ausência do País no período de 24 a 28 de maio.
Pelo regimento interno do Senado, a apreciação dos requerimentos de licença para missão é exigida apenas quando os custos da viagem, seja no País ou no exterior, ficam a cargo da Casa. Nesses casos, a Mesa Diretora delibera sobre os pedidos.
Flávio viajou aos Estados Unidos e postou foto ao lado do presidente Donald Trump, na Casa Branca, na terça-feira, 26. Ele afirmou que a visita era um "reconhecimento" de Trump de que sua candidatura é "séria", "sólida" e "confiável", e que quis oferecer uma "alternativa" aos EUA de um presidente "aliado".
Segundo o senador, não houve declaração de apoio de Trump a sua pré-campanha presidencial. A viagem ocorreu duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser recebido pelo presidente americano.
Flávio afirmou ter se reunido nesta quarta-feira com o vice-presidente americano, J.D. Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo o senador, as conversas serviram para ele reforçar o pedido de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
Indagado sobre por que a Casa Branca não se pronunciou sobre o encontro, Flávio afirmou: "Não sei, só sei que estou muito honrado em ser recebido pelas mais altas autoridades da maior democracia do mundo. Demonstra preocupação com o que está acontecendo no Brasil".
A viagem do pré-candidato foi analisada pelo governo Lula como uma tentativa de fugir do escândalo do Banco Master. Para interlocutores do presidente ouvidos pela Coluna do Estadão, o senador tenta "desesperadamente" "mudar de assunto" em relação a seus elos com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Ele tenta reverter crise em sua pré-campanha causada por revelações de pedidos de dinheiro a Vorcaro, preso e investigado por fraudes financeiras do Banco Master.
Segundo reportagem publicada pelo site Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões acertados entre Flávio e Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram repassados entre fevereiro e maio de 2025.