O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira, 25, o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) como seu vice na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A definição ocorre em meio à disputa por vagas ao Senado na aliança, após França, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) manifestarem interesse em concorrer pelo Estado.
Com o martelo batido, Marina e Tebet devem disputar as duas vagas na Casa Alta pela coligação alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles devem enfrentar, entre outros nomes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição, o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), na eleição deste ano.
"Ontem, nós tivemos uma reunião muito produtiva com o presidente Lula, com o vice-presidente Alckmin e alguns partidos aliados", disse Haddad. "Tive uma grata surpresa, que foi uma conversa de altíssimo nível com os três outros companheiros que compõem a chapa majoritária para o governo do Estado e Senado."
Os quatro se reuniram na tarde de quarta-feira, 24, com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em Brasília, para encerrar a disputa. Segundo Haddad, os três ex-ministros se colocaram à disposição para compor a chapa como vice ou disputar o Senado, deixando a definição a cargo do pré-candidato petista.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, o presidente Lula preferia França como vice de Haddad. O ex-ministro do Empreendedorismo, porém, resistia à ideia e defendia disputar o Senado. Na última semana, após o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) desistirem da corrida ao governo paulista, França passou a articular, nos bastidores, uma eventual candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes.
A possibilidade de França disputar o governo paulista encontrou resistência imediata no PT. Para os petistas, sua candidatura teria mais potencial de dividir o eleitorado de Haddad do que de reduzir a vantagem de Tarcísio. A pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda ao governo paulista foi anunciada em 19 de março.
A demora na definição da chapa provocou, nos últimos meses, insatisfação entre partidos aliados. O descontentamento foi expresso pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) em 22 de maio. Segundo a parlamentar, a indefinição prejudicava a pré-campanha, sobretudo porque o campo adversário já havia acertado sua composição. "É só se conversarem, ajeitar", afirmou.
Tebet também marcou posição no debate. Em entrevista à Veja, em 29 de abril, afirmou não haver "nenhuma chance" de integrar a chapa como vice. Dois dias antes, a Federação PSOL-Rede reiterou a pré-candidatura de Marina Silva ao Senado, endossada pelo PDT. "Não há plano B" além da ex-ministra do Meio Ambiente, afirmou a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi.
Além disso, Haddad chegou a manifestar publicamente a sua preferência por uma mulher na vaga de vice. Também era preferível um nome que agregasse forças centristas. Nesse sentido, a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teresa Vendramini (PDT), foi convidada para ocupar o lugar, mas ela recusou o convite.
"A nossa chapa já é paritária e tem dois homens e duas mulheres", disse Haddad. "Nas minhas disputas majoritárias eu sempre, ou quase sempre, contei com uma mulher como vice."