Campanha de Flávio avalia que Michelle gerou 'material de campanha' ao PT e defende foco em mulheres

Estrago para imagem do senador junto aos eleitorados feminino e evangélico vai depender, segundo um aliado, de como o PT explorar os vídeos da ex-primeira-dama

25 jun 2026 - 12h58

BRASÍLIA — Integrantes da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República avaliam que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro produziu "material de campanha" para o PT ao divulgar um vídeo criticando o enteado.

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Aliados de Flávio agora defendem que ele vai precisar dobrar os esforços para se conectar ao eleitorado feminino, o que já era visto como urgente, dada à resistência do público à imagem de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na noite da quarta-feira, 24, pouco antes do jogo da seleção brasileira contra a Escócia na Copa do Mundo da Fifa, Michelle publicou dois vídeos, que somam juntos quase 30 minutos e atingiam 12 milhões de visualizações nesta manhã, em que expôs um racha entre ela e Flávio, a partir de um episódio ocorrido em dezembro.

"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", afirmou a ex-primeira-dama.

O motivo do telefonema teria sido uma divergência entre ambos a respeito da montagem de chapas no Ceará: enquanto uma ala do PL defendia subir no palanque de Ciro Gomes (PSDB) para ajudar a tirar o PT do poder, a ex-primeira-dama queria o apoio de seu partido à candidatura do senador Eduardo Girão (Novo). Michelle também criticou a tentativa de rivar sua aliada, a vereadora e vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila Costa, de uma das vagas ao Senado.

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"Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço", disse em seguida.

O receio dentro da pré-campanha de Flávio é que o conteúdo feito por Michelle seja explorado por candidatos da esquerda até o fim das eleições. Uma das pessoas do núcleo da equipe diz que o estrago junto aos eleitorados feminino e evangélico "vai depender da esperteza do PT em aproveitar" o conteúdo eleitoralmente, e que "tem muitos cortes bons" para serem usados pelo PT contra Flávio.

Uma das preocupações é que recortes do vídeo sejam resgatados para rebater eventuais comportamentos machistas de candidatos do PL durante a campanha eleitoral.

Aliados defendem que a crise seja transformada em oportunidade de comunicação. O senador, segundo eles, deveria dar uma guinada na pré-campanha em direção às mulheres da base socioeconômica.

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Na última pesquisa Datafolha, divulgada em junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia bem à frente de Flávio na disputa de um eventual segundo turno entre as mulheres: 52% a 37%. Trata-se do recorte com uma das mais amplas vantagens do petista sobre o rival.

Membros da pré-campanha de Flávio dizem ver com alívio que o monitoramento das redes sociais identificou um desgaste maior para Michelle do que para o presidenciável, e que o debate migrou do X (antigo Twitter), onde costumam ocorrer as discussões políticas, para o Instagram e outras mídias.

Eles dizem acreditar que o recuo de Michelle nesta quinta-feira, quando ela publicou uma mensagem temporária afirmando que "não tem raiva de ninguém" e que "vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno", veio da artilharia da militância de que ela passou a ser alvo desde a última noite.

Aliados de Flávio criticam o que consideram ser um "teor feminista" nos vídeos de Michelle, uma vez que ela questiona a razão de, na visão dela, as mulheres sempre serem as primeiras rifadas em articulações políticas em detrimento de outros homens candidatos.

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Para eles, a ex-primeira-dama acabou entrando na arena do combate à "misoginia", bandeira considerada de esquerda e que incomoda muitos bolsonaristas.

Pouco depois da divulgação dos vídeos, Flávio comentou numa transmissão ao vivo que, em dia de jogo da seleção brasileira, "nada tiraria seu bom humor".

Horas depois, num longo texto, ele declarou ser casado há 16 anos, pai de duas meninas e que nunca havia desrespeitado, maltratado ou humilhado qualquer mulher na vida, ainda menos com a "esposa do próprio pai".

"Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil", escreveu.

Sua esposa, Fernanda Bolsonaro, que dificilmente participa das disputas políticas, também publicou uma mensagem sobre o episódio, em que chama Flávio de "um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado às nossas duas filhas".

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"Tudo o que fazemos nasce do mesmo desejo: que elas cresçam em um Brasil onde possam viver com liberdade, segurança, valores e oportunidades para realizar seus sonhos. As pessoas podem discordar dos caminhos, mas eu nunca tive dúvidas sobre a sinceridade desse propósito", escreveu Fernanda.

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