O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta quinta-feira, 25, o ex-governador Márcio França (PSB) como vice em sua chapa na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes e oficializou que Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) disputarão vagas ao Senado pelo Estado. O comunicado foi feito em entrevista coletiva na capital paulista.
"Por várias razões e, sobretudo, pela experiência no governo do Estado, como vice-governador, secretário de duas pastas importantes no governo Alckmin, depois, governador São Paulo, que concorreu à reeleição e teve um desempenho extraordinário, quase 50% dos votos. Eu, hoje pela manhã, falei com o nosso companheiro Márcio França e convidei, então, para figurar na condição de vice-governador na chapa", disse Haddad ao confirmar o nome.
Como o Estadão antecipou, a formação da chapa com França na vice e a definição de Marina e Tebet para o Senado era a preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a escolha de França, agora o presidente tenta resolver o palanque em Minas Gerais, onde tenta convencer a ex-prefeita de Contagem Marília Campos a concorrer.
Em São Paulo, Tebet e Marina vão disputar as duas vagas ao Senado. França, por sua vez, resistiu inicialmente à composição como vice e defendia lançar candidatura própria ao governo paulista. O argumento era de que, com a saída de nomes como Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) da disputa, a centro-esquerda precisaria de mais um candidato para tentar forçar um segundo turno contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que lidera as pesquisas.
A negociação para que França aceitasse a vice envolveu diretamente o vice-presidente Geraldo Alckmin, que atuou para viabilizar a aliança com Haddad. Antes de fechar com o ex-governador, o petista tentou compor a chapa com uma mulher na vice, preferencialmente de perfil mais ao centro, mas não conseguiu viabilizar a estratégia.
O nome de Simone Tebet chegou a ser cogitado para a vice, mas prevaleceu a avaliação de que ela tem mais chances de eleição ao Senado e não deveria abrir mão de uma disputa considerada mais segura. O mesmo diagnóstico foi aplicado a Marina Silva.
Após ser anunciado, Márcio França criticou a atual gestão do governador Tarcísio de Freitas, adversário na disputa. "A marca do governo de São Paulo hoje, talvez a venda da Sabesp e o pedágio free flow. São as duas coisas mais marcantes, não teve uma obra nova, uma ideia nova. Então o São Paulo, que tem crescido menos que o Brasil nos últimos cinco anos praticamente, deixou de ser aquela coisa do trem que puxava todo mundo para ser mais um vagão nesse trem", disse ele.