A estreia da propaganda eleitoral no Paraná revelou estratégias distintas entre os candidatos. Na disputa pelo governo, Sérgio Moro nacionalizou o debate e aliou-se ao bolsonarismo, Sandro Alex focou na continuidade da gestão de Ratinho Junior e Requião Filho priorizou a educação, sem citar Lula. Já para o Senado, as alianças federais prevaleceram: Gleisi Hoffmann destacou sua ligação com Lula, enquanto Filipe Barros enfatizou a oposição ao PT e o apoio a Flávio Bolsonaro.
CURITIBA - Na estreia da propaganda eleitoral na TV no Paraná nesta sexta-feira, 28, os principais candidatos ao governo adotaram estratégias distintas para se apresentar ao eleitorado. Sérgio Moro (PL) nacionalizou a disputa, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e falou em "espírito da Lava Jato e a força do Bolsonaro". Sandro Alex (PSD) apostou no governador Ratinho Junior (PSD) como principal cabo eleitoral e apresentou sua candidatura como continuidade da atual gestão. Já Requião Filho (PDT) evitou associar sua imagem a Lula e concentrou o programa em propostas para a educação.
Na disputa pelo Senado, as referências nacionais apareceram de forma mais direta. Gleisi Hoffmann (PT) destacou sua trajetória ao lado de Lula e sua influência em Brasília, enquanto Filipe Barros (PL) pediu votos para Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e explorou sua atuação como oposição ao governo petista.
Moro usa nome de Bolsonaro e fala em 'espírito da Lava Jato'
Com 2 minutos e 12 segundos de propaganda, Sérgio Moro defendeu a união da direita e da centro-direita com o que chamou de "espírito da Lava Jato e força do Bolsonaro". O candidato também afirmou que pretende dar continuidade aos "bons projetos" da gestão Ratinho Junior.
Moro buscou, ao mesmo tempo, se diferenciar do grupo político do governador. Disse não contar com o apoio do "Centrão da velha política" e dividiu seus adversários entre os "aliados do Lula, da esquerda radical" e os "amigos do Lula", referência aos partidos PSD e MDB.
A disputa presidencial também entrou no programa. Ao lado de Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado, Moro pediu votos para Flávio Bolsonaro à Presidência.
Sandro aposta em Ratinho e se apresenta como continuidade
Detentor do maior tempo entre os principais candidatos, com mais de quatro minutos, Sandro Alex concentrou sua estreia na associação com Ratinho Junior. O atual governador abriu o programa falando sobre sua sucessão e apresentou o candidato do PSD como o nome para dar continuidade à atual gestão.
A propaganda afirmou que, antes da chegada de Ratinho ao governo, o "Paraná andava para trás" e explorou semelhanças entre as trajetórias políticas do governador e de Sandro. O programa também afirmou que o candidato "nunca precisou da política para viver".
Sandro defendeu pautas relacionadas à família e à liberdade para quem produz e empreende.
Requião Filho foca em educação e evita associação a Lula
Requião Filho dedicou seus 2 minutos e 21 segundos principalmente à educação. Em vez de discursos diretamente para a câmera, o programa apresentou imagens do candidato conversando com apoiadores sobre problemas do Estado e propostas para a área.
O pedetista defendeu o fim da plataformização das salas de aula, melhorias na formação dos professores e a retomada do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). Também propôs a realização de mais concursos públicos no Estado.
"Se o professor está lá bem treinado, descansado, ganhando bem e motivado, ele vai ver que precisa dar uma atenção diferenciada para você aprender ainda mais", afirmou Requião Filho durante uma das conversas exibidas.
Apesar de ocupar o campo progressista na disputa estadual, Requião não associou sua imagem à de Lula na estreia da propaganda eleitoral.
Propaganda dos candidatos ao Senado
Na disputa pelo Senado, Gleisi Hoffmann destacou sua trajetória política em Brasília, com passagens pelo ministério, pelo Congresso Nacional e pela presidência do PT. A candidata também ressaltou sua atuação ao lado de Lula como uma credencial para representar o Paraná no Senado.
"Sentei à mesa onde as decisões do Brasil são tomadas. Vou usar minha força lá em Brasília", afirmou.
Filipe Barros, por outro lado, explorou sua atuação como um dos nomes de oposição a Lula no Congresso e vinculou sua candidatura à disputa presidencial. O candidato do PL pediu votos para Flávio Bolsonaro à Presidência.