O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro criticou nesta terça-feira, 21, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) por causa de um vídeo publicado por ela nas redes sociais no fim de junho. Na gravação, Michelle disse ter sido desrespeitada, humilhada e maltratada pelo enteado, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
"Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo", afirmou o ex-parlamentar, em entrevista ao portal Metrópoles.
Eduardo ainda classificou como "natural" que haja disputa por um "espaço tão cobiçado" quanto a Presidência da República. Isso teria feito com que divergências internas do clã Bolsonaro viessem a público, ele disse.
Não é a primeira vez que Eduardo critica Michelle. Após o desabafo da ex-primeira-dama, ele compartilhou publicações que a acusavam de "apunhalar" Flávio e atribuíam o vídeo a uma disputa pela candidatura presidencial. Também houve atritos anteriormente por conta das discussões sobre o palanque eleitoral do Ceará.
Questionado sobre a declaração da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) de que pessoas próximas a ele teriam estimulado ataques virtuais contra Michelle após o desabafo, Eduardo afirmou desconhecer quais seriam os perfis mencionados pela parlamentar.
"O que vejo é muita gente mascarando legítimas cobranças políticas, chamando-as de ataques. Se a Michelle quer entrar na política, será cobrada como um político, assim como Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro são", disse Eduardo. "Todos os dias, quando acorda, ele não sabe sobre o quê, mas sabe que terá de correr atrás de alguma crítica contra ele e revertê-la. Esse é o nosso dia a dia."
Ex-deputado critica Salles
O ex-deputado afirmou ainda que a pré-candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado por São Paulo representa um "desrespeito" à sua liderança e defendeu que o ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro desista da disputa.
O ex-parlamentar relembrou o acordo pelo qual a chapa ao Senado seria formada por Guilherme Derrite (PP), indicado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e por ele próprio, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eduardo afirmou que Salles não mantém a pré-candidatura pensando no bem da população de São Paulo ou do Brasil e ressaltou que o Senado terá papel relevante a partir de 2027.
"A gente sabe que o impeachment de integrantes do STF [Supremo Tribunal Federal] ocorre no Senado brasileiro e estamos contando os votos para isso", disse Eduardo. "Imagine perdermos o impeachment de [Alexandre de] Moraes por causa de um ou dois votos porque não tivemos organização ou maturidade suficiente para entender."
Na avaliação do ex-deputado, a direita corre o risco de perder uma ou até as duas vagas ao Senado no Estado para a esquerda. Nesse sentido, reiterou seu apoio ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL).
"É uma pessoa que está cada vez mais próxima de nós. Inclusive, fez um vídeo em um dos eventos de pré-campanha no qual disse que votará a favor do impeachment de membros do STF, que é uma atribuição do Senado", afirmou Eduardo.
A pesquisa Datafolha mais recente sobre a disputa pelo Senado em São Paulo aponta as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na liderança da corrida pelas duas vagas em jogo. No cenário estimulado, Marina aparece com 18% das intenções de voto, seguida por Tebet, com 16%.
Salles ocupa a terceira posição, com 13%, à frente de André do Prado, que registra 11%, e de Derrite, com 10%. O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 3 de julho de 2026.