Corte de gastos é solução temporária para problema fiscal, diz cotado para assumir Fazenda sob Flávio Bolsonaro

7 out 2026 - 20h20
Resumo
Cotado para a Fazenda em eventual governo Flávio Bolsonaro, Marcelo Kayath afirmou que o corte de gastos é apenas um ajuste temporário para reduzir juros, sendo o crescimento econômico a solução fiscal definitiva. Ele defendeu medidas cirúrgicas que preservem programas sociais e os mais pobres, rebatendo temores da oposição. Embora aponte potencial de expansão do PIB de até 4% a médio prazo, o economista negou ter debatido cargos ministeriais com o candidato antes do resultado eleitoral.

O economista Marcelo Kayath, um dos cotados ‌para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), defendeu nesta quarta-feira que o problema fiscal do Brasil não vai ser resolvido apenas com corte de gastos e afirmou que essa "parada de arrumação" é algo temporário para o país voltar a crescer.

"O problema do Brasil ⁠só vai ser resolvido com o crescimento. O problema fiscal do Brasil ‌não vai ser resolvido com corte de gasto", disse Kayath em entrevista à CNN Brasil.

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"Corte de gasto, parada de arrumação... é uma coisa temporária ‌pra gente ajustar as contas e dar ‌as condições para o Banco Central cair (sic) os juros e a ⁠partir daí a gente arrumou de novo o carro, a gente volta a acelerar", acrescentou.

Kayath destacou que essa ação poderá levar daqui a um a três anos o país, dependendo das condições, a começar a crescer de 3% a 4%. "Aí sim vamos ter solução mais permanente para nosso ‌problema fiscal", frisou.

Na entrevista, o economista e ex-diretor do Credit Suisse ressaltou ainda ‌que só cortar não ⁠vai resolver o ⁠problema. Ao dizer que é algo temporário, ele fez uma analogia com ir ao ⁠dentista, afirmando que ninguém gosta, é ‌chato, mas depois vai trazer ‌prosperidade, oportunidade, emprego e renda.

Kayath não deu detalhes de como seria esse ajuste nas contas e até se haveria uma espécie de PEC da transição com propostas para melhoria dos gastos públicos.

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O economista ⁠disse que as medidas têm que ser cirúrgicas e fez questão de afirmar em vários momentos da entrevista que é necessário preservar os programas sociais, que não podem ser afetados, "essa é uma premissa básica".

"Em um país desigual como o Brasil, a gente ‌não pode partir e começar um ajuste com os mais pobres e mais necessitados que têm que sofrer primeiro", disse.

Após Flávio Bolsonaro ter surpreendido ⁠e ficado à frente na votação do primeiro turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a explorar que uma eventual vitória do adversário poderia levar ao fim de programas sociais como Bolsa Família, entre outros. O candidato do PL nega.

Questionado se assumirá a Fazenda em uma vitória de Flávio no segundo turno, Kayath afirmou que nunca conversou com o candidato sobre o tema.

"Nunca conversei com o candidato Flávio Bolsonaro sobre cargos, nunca tivemos essa conversa e sinceramente o momento não é de falar em cargos... vamos esperar a eleição passar, ver como a eleição termina, como se elegeu e com qual maioria", ponderou.

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