Alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no transporte de São Paulo, o ex-vereador Milton Leite negou envolvimento com a facção e disse que se entregará à polícia. Leite, que presidiu a Câmara da capital, já era citado em apurações sobre a empresa Transwolff. A ação cumpre 16 ordens de prisão, mirando também o presidente do Água Santa, enquanto a Prefeitura afirma que colabora com o Ministério Público para resguardar o interesse público.
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), alvo de um pedido de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, afirmou nesta quinta-feira, 17, que vai se apresentar às autoridades.
A manifestação foi divulgada por sua assessoria após o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagrarem a operação, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte da capital paulista.
"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações", afirmou Leite.
Ao Estadão, o ex-vereador afirmou que não tem qualquer relação com o PCC e contestou as acusações divulgadas sobre o caso. "Nego veementemente todas as acusações, todas as afirmações lançadas que se encontram no ar. Nego relação com o PCC de qualquer natureza. Não tenho relação alguma, não conheço membros, nem sei quem são os membros do PCC", disse.
A operação é a terceira etapa da investigação sobre a atuação da facção no setor de transporte coletivo de São Paulo. São cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos também está Paulo Korek, presidente do Esporte Clube Água Santa.
Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.
O nome de Leite já havia aparecido em apurações relacionadas à Transwolff, empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.
Nesta terça-feira, a Prefeitura afirmou que a intervenção na Transwolff teve como objetivo preservar o funcionamento do sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, segundo a administração, também foi determinada, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, sem solicitação da Justiça.
A gestão municipal disse ainda que a Controladoria Geral do Município instaurou processos contra as duas empresas e que, desde o início das apurações, passou a colaborar com o Ministério Público e a Polícia Civil. Segundo a Prefeitura, o encerramento dos contratos foi uma das medidas adotadas para resguardar o interesse público e evitar prejuízos aos passageiros.
Para a administração municipal, a operação deflagrada nesta quinta-feira, 17, reforça a gravidade das suspeitas que levaram às medidas adotadas em 2024. A Prefeitura afirmou que segue colaborando com as investigações e fornecendo às autoridades os documentos e esclarecimentos solicitados.