Em meio a um cenário eleitoral atípico e ofuscado pelo protagonismo do STF, o senador Hamilton Mourão chama a atenção por sua quase total invisibilidade pública. Apesar de ser o único senador gaúcho com mandato garantido após o pleito, Mourão tem evitado os holofotes, não engaja em debates de impacto e sequer apoia abertamente aliados políticos, como o candidato Zucco. Assim, enquanto a disputa avança, ele se mantém em segundo plano, transformando sua ausência no fato mais notável de sua atuação.
Como já foi dito em uma coluna anterior, as eleições deste ano estão bastante diferentes do que se poderia esperar. O STF tomou para si o protagonismo que, em teoria, deveria pertencer aos candidatos, ocupando boa parte da atenção pública em meio à sua crise interna e institucional.
Mas, se existe alguém que aparentemente não quer disputar nenhum tipo de protagonismo neste pleito, esse alguém é o senador Hamilton Mourão.
Aliás, dá para dizer que o curso de camuflagem oferecido pelo Exército Brasileiro continua em dia mesmo depois de tantos anos. O senador segue desaparecido do debate público nos últimos tempos, e até mesmo as notícias mais recentes relacionadas ao seu mandato parecem incapazes de produzir algum impacto significativo.
Em uma eleição na qual os candidatos deveriam estar tentando chamar a atenção do eleitorado, Mourão parece ter escolhido o caminho contrário. Nem mesmo vemos ele apoiar aos candidatos da majoritária, como Zucco, ou então candidatos a deputado.
Muitas vezes ele acaba sendo lembrado apenas por uma particularidade desta eleição: Mourão será o único senador gaúcho que permanecerá no cargo após o pleito, já que não haverá disputa para a vaga que ocupa. E essa condição, que deveria representar uma posição de destaque dentro da política do Rio Grande do Sul, frequentemente aparece quase como uma nota de rodapé no processo eleitoral.
O senador que deveria estar entre os nomes mais conhecidos da política gaúcha parece ter sido relegado a uma espécie de segundo plano permanente.
E as coisas seguem dessa maneira. Enquanto candidatos disputam espaço, o STF domina manchetes e o eleitorado acompanha uma eleição cada vez mais peculiar, o senador Mourão permanece fora do centro do palco. No meio de uma disputa marcada por protagonistas improváveis, talvez a maior façanha do senador Mourão seja continuar desaparecido.