BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta sexta-feira, 6, para a Penitenciária Federal de Brasília, que integra o Complexo da Papuda. Lá, ele cumprirá a prisão preventiva ordenada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que não obstrua as investigações das fraudes cometidas por ele e seus aliados.
Vorcaro deixou a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e agora passará os dias em uma unidade de segurança máxima, sob vigilância permanente e sem contato com outros detentos.
A Penitenciária Federal de Brasília é uma das cinco prisões de segurança máxima geridas pelo governo federal. Entre os detentos está, por exemplo, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, entre outros líderes da facção.
A revista no presídio passa por quatro etapas, com uma série de leitores de corpo e detectores de qualquer tipo de material. A estrutura da Penitenciária é inspirada na "unidade supermáxima" dos Estados Unidos, erguida no Colorado e conhecida como o "Alcatraz".
O local fica ao lado do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
No dia a dia, o banqueiro terá contato reduzido com outras pessoas. A comida é entregue por meio de uma portinhola e, após as refeições, bandeja e lixo passam por inspeção. Ele será algemado e acompanhado por um carcereiro toda vez que deixar a cela.
A Penitenciária conta com mais de 250 câmeras de monitoramento e entre 200 e 250 agentes federais vistoriando cerca de 12,3 mil m² de área.
Vorcaro ficará isolado por até 20 dias, no período de triagem. Ele passará por uma série de exames, inclusive psicológicos, que avaliarão o risco de suicídio, outros fatores. Durante esse período, ele ficará numa cela de 9m² e não poderá receber visitas de familiares.
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Decisão de Mendonça
Na noite de quinta-feira, 5, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que o empresário fosse transferido para a Penitenciária Federal em Brasília, atendendo a um pedido da PF - que apontou riscos à segurança pública e à condução das investigações caso ele permanecesse no presídio estadual.
Segundo a PF, Vorcaro possui "significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado", o que poderia interferir no andamento das apurações ou no cumprimento de decisões judiciais.
No pedido encaminhado ao STF, a polícia argumentou que a transferência para o sistema penitenciário federal é necessária para garantir a efetividade da prisão preventiva, mitigar riscos institucionais associados à elevada sensibilidade da investigação e preservar a integridade física do próprio preso.
"A Penitenciária Federal em Brasília apresenta condições institucionais que permitem monitoramento mais próximo da execução da custódia, considerando a localização da unidade em relação aos órgãos responsáveis pela condução da investigação e pela supervisão judicial das medidas cautelares adotadas no âmbito desse Supremo Tribunal Federal", argumentou a corporação.
A PF prendeu Vorcaro nesta quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. Foi a primeira ação autorizada por Mendonça depois que assumiu a relatoria do caso na Corte.