Caiado critica 'enfrentamento religioso' após notícia falsa citando Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora

No sábado, o candidato do PSD havia afirmado que 'ninguém vai arrancar Nossa Senhora do coração do povo'; neste domingo ele visitou paróquia em homenagem à padroeira do Brasil

27 set 2026 - 16h02
Resumo
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado criticou o enfrentamento político-religioso e a intolerância na campanha eleitoral, após uma notícia falsa associar Flávio Bolsonaro a uma tentativa de retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. Em Goiânia, o presidenciável defendeu a liberdade de crença e a pacificação do país. Na mesma ocasião, Caiado chamou de oportunista a decisão do governo Lula de proibir as apostas online e defendeu uma regulamentação mais rígida para o setor.

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou neste domingo, 27, o que chamou de "enfrentamento político-religioso" na reta final da campanha e defendeu que disputas eleitorais não sejam levadas para o campo da fé. A afirmação foi dada após missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges, em Goiânia.

A fala ocorre em meio à repercussão das falsas alegações que associaram Flávio Bolsonaro (PL) a uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Como mostrou o Estadão, a notícia falsa levou a 1 milhão de postagens e se tornou a terceira maior repercussão do ano nas redes. O candidato do PL negou ter apoiado qualquer medida nesse sentido. Caiado escolheu justamente uma paróquia dedicada a Nossa Senhora para cumprir a agenda de campanha deste domingo.

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"Eu sou católico praticante. Eu sou afilhado de Nossa Senhora das Graças. Eu aprendi que é na fé que você supera todas as suas dificuldades", afirmou Caiado após a celebração. Segundo ele, a campanha entrou em um ambiente de intolerância que precisa ser contido. "Nós temos que respeitar todas as religiões. Cada um tem o direito da sua escolha. Nós não podemos, de maneira nenhuma, politizar esse processo e muito menos caminhar para um lado de enfrentamento."

Caiado disse ainda que cabe ao Estado garantir a liberdade religiosa, independentemente da crença. "Eu repudio frontalmente todos aqueles que querem usar de um momento como esse, de qualquer restrição a qualquer opção religiosa que a pessoa tenha", afirmou. Para o candidato, o ambiente de hostilidade ultrapassou a disputa política. "O ódio está dominando um segmento da sociedade brasileira, está distorcendo totalmente o bom senso, o equilíbrio de uma campanha eleitoral, da convivência entre as pessoas."

O presidenciável afirmou ter aproveitado a missa para fazer um pedido pela redução das tensões na reta final. "Pedi muito a Deus para que aliviasse o coração dessas pessoas que estão vivendo este momento de ódio", disse. "É triste, é deprimente ver o ódio dominando um universo enorme de brasileiros e levando o Brasil para esse enfrentamento político-religioso."

A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou força depois de uma declaração no programa Em Pauta, da GloboNews, sobre a existência de um movimento de setores evangélicos para alterar a condição da santa como padroeira do Brasil. A fala não atribuía a iniciativa a Flávio, mas passou a circular nas redes associada ao candidato do PL. A GloboNews posteriormente pediu desculpas e informou que um projeto com esse objetivo havia sido apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte.

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A repercussão se espalhou pelas redes sociais na reta final da eleição. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado no sábado, registrou 977,6 mil publicações sobre o tema em 55 horas, com 8,5 milhões de interações.

No sábado, 26, Caiado já havia comentado o episódio nas redes sociais. Sem citar Flávio, escreveu que, como católico e devoto de Nossa Senhora das Graças, lhe doía "ver alguém querer apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil" e acrescentou: "Ninguém vai arrancar Nossa Senhora do coração do povo brasileiro".

Críticas a Lula na reta final

Na mesma agenda, Caiado também classificou como "oportunista" a decisão do governo Lula de proibir as bets. "A decisão dele foi uma decisão oportunista", afirmou.

O candidato afirmou que, se eleito, não pretende banir as plataformas, mas adotar uma regulamentação mais dura, com ações educativas, restrições à publicidade e medidas voltadas aos impactos do jogo sobre a saúde.

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"Você tem que ter uma gradação", disse. Caiado afirmou ainda ser "avesso a jogo" e citou que não autorizou loteria em Goiás enquanto governador.

Ao falar sobre a reta final da campanha, disse que o País vive uma disputa marcada pelo antagonismo e pela escolha do "rejeitado preferido". "Isso não constrói nada", afirmou. "Se governa pacificando, se governa aglutinando."

Na sexta-feira, 25, Lula assinou uma medida provisória que proíbe as bets no País e anunciou o Desenrola Brasil 3.0. Neste domingo, Caiado também criticou o programa nas redes sociais e acusou o presidente de agir "no desespero". "É a mesma mentira maquiada para tentar vender ilusão a quem está endividado. Ele acaba com o Brasil e quem paga o pato é o trabalhador", escreveu.

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