O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou adversários que faltam a debates em meio à crise econômica. Em São Paulo, ele culpou a gastança do governo pelos juros altos e defendeu austeridade fiscal. Embora apoie a jornada 5x2, criticou o caráter eleitoreiro do projeto sem prévia consulta a empresários. O ex-governador também repudiou o avanço do narcotráfico no Rio de Janeiro e prometeu ampla presença feminina na composição de seus eventuais ministérios.
O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, disse, nesta sexta-feira, ser inaceitável que outros candidatos adotem uma postura de 'fujão' e não compareçam a debates nestas eleições, uma vez que ele considera que o País passa por um grave momento econômico.
"O que eu espero é que todos estejam presentes. Da mesma maneira que voto é obrigatório, participar de debate também deveria ser. É inaceitável a pessoa se colocar na posição de 'fujão' no momento que o País passa pela mais grave crise econômica", afirmou Caiado, citando o alto endividamento de famílias e empresas. As declarações foram feitas em coletiva de imprensa após agenda de Caiado e seu vice, Gilberto Kassab, no Mercado Municipal de São Paulo.
O primeiro debate com os candidatos à presidência, organizado pela Band em parceria com o Estadão, ocorre na noite do próximo domingo, 23. Os candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), porém, não devem comparecer.
Ao falar sobre economia, Caiado voltou a atribuir o nível alto do juro à "gastança" do atual governo federal. Ele disse que, em um governo que transmite mais credibilidade ao mercado financeiro, a tendência é que os juros sejam mais baixos. "Não é o Banco Central que aumenta juros. É o governo que aumenta a gastança", declarou.
Caiado afirmou ser favorável à redução da jornada de trabalho para escala 5x2, mas criticou a forma que a discussão foi feita no País, já visando o processo eleitoral deste ano.
"Deveria ser uma medida discutida com todos que são empregadores. Esta é a maneira como se deve fazer", disse Caiado. "Uma PEC está em votação, ela será aprovada e será promulgada também. Nós somos favoráveis. O que nós criticamos na medida é que ela foi proposta de forma eleitoreira", disse Caiado, reforçando que, se fosse presidente, teria chamado todos os empresários para discutir melhor a questão. "Eu não vou criar uma emenda sem ouvir as partes interessadas".
Segurança pública e economia
Ao falar sobre economia, Caiado reiterou críticas ao nível da taxa de juros, que ele atribui à "gastança" do governo federal e defendeu uma política "austera". "Essa taxa de juros tem de chegar a patamares de 6% e uma inflação em torno de 3% a 4%. Isso é que a sociedade brasileira espera de nós", declarou. Segundo o candidato, o atual governo gerou apenas taxa de juros alta, endividamento e "empresas que fogem para o Paraguai".
Na segurança pública, o ex-governador goiano fez menção ao recente episódio em que criminosos no Rio de Janeiro foram filmados ministrando um "curso" de uso de drones. "É inaceitável o que vimos ontem. É o máximo da sofisticação que o narcotráfico tem drones para atingir pessoas e policiais no Brasil".
Questionado sobre possíveis nomes para a formação de ministérios em seu governo, já que Caiado já citou nomes como o de Armínio Fraga para economia e Lincoln Gakiya na segurança pública, o candidato se limitou a dizer que buscará ampliar a participação feminina. "Uma posição minha, desde quando fui governador, é de ter uma presença muito forte das mulheres no meu ministério", declarou.