A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que ele receba a visita do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL). A solicitação foi protocolada na última sexta-feira, 28.
O pedido requer autorização para um "encontro pessoal específico", em data a ser ajustada, "em razão da necessidade de diálogo direto com o peticionário", segundo a defesa.
Mello Araújo está no páreo para disputar a segunda vaga ao Senado por São Paulo. Embora a definição formal da segunda candidatura ainda não tenha sido anunciada, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) discutiu o cenário com Bolsonaro no fim de janeiro, na Papudinha. O acordo firmado no ano passado prevê que o governador indique um nome - provavelmente o do deputado Guilherme Derrite (PP) - e o ex-presidente escolha o outro.
Bolsonaro havia sinalizado o nome do filho, Eduardo Bolsonaro (PL), que está autoexilado nos Estados Unidos e, ao que tudo indica, não deve disputar. Sem Eduardo, Mello Araújo passou a ser citado como o preferido do ex-presidente, segundo informou a CNN Brasil. Há, porém, divisão interna no PL. Também disputam espaço o deputado estadual Gil Diniz (PL), apontado como preferido de Eduardo, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) articula o nome da deputada federal Rosana Valle (PL). Estão ainda no páreo os deputados Mário Frias (PL) e Marco Feliciano (PL).
Tarcísio demonstra preocupação com disputa ao Senado
Como mostrou o Estadão, a montagem da chapa ao Senado virou um flanco aberto para Tarcísio. Derrite é tratado como pré-candidato à primeira vaga. Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 11 de fevereiro aponta empate técnico entre ele e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que pode disputar pela oposição em São Paulo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) liderava a disputa, mas já teria aceitado o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao governo do Estado.
Relatos feitos ao Estadão indicam que Tarcísio avaliou essas pesquisas e, na visão do governador, seria necessário escolher um segundo nome forte para evitar que o aliado enfrente dois adversários de peso sozinho.
No campo da esquerda, a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), pode concorrer à outra vaga. Lula ainda não definiu a estratégia e, recentemente, passou a citar também o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como opção. Outra opção é o ex-governador Márcio França (PSB).
O Senado é prioridade para Bolsonaro na eleição deste ano. O objetivo declarado é conquistar maioria na Casa, eleger o presidente da instituição e avançar com pedidos de impeachment contra Moraes, relator do processo que julgou a trama golpista e condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão.