A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que seu depoimento à Polícia Civil sobre arma apreendida durou cerca de 5 minutos, na tarde desta terça-feira, 23. O político teria confirmado que o revólver, calibre 9 mm, estava com o militar para ser consertado.
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A informação foi passada à GloboNews pelo advogado Paulo da Cunha Bueno, que representa o ex-mandatário. A polícia chegou ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por volta das 14h30 e deixou o local perto das 15h15.
A defesa acompanhou a oitiva curta, que foi filmada pelos policiais. Ainda segundo a emissora, o advogado esclareceu que Bolsonaro repetiu tudo aquilo que a defesa já havia dito quando questionado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a questão.
Apreensão da arma
A arma foi apreendida no último dia 15, durante uma blitz realizada pela Polícia Militar. O agente responsável pela abordagem informou que o militar parou o carro após a ordem, e disse que faria o teste do bafômetro. O policial, entretanto, percebeu que havia uma pistola no assoalho do carro, e o motorista fechou o vidro do veículo de repente.
O PM abriu a porta do condutor e recolheu o armamento, pedindo que o homem encostasse o veículo no acostamento. Nesse momento, o militar desceu do veículo e afirmou que era integrante do GSI, e que trabalhava com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O militar do Exército foi detido e levado para a 21ª Delegacia de Polícia, onde foi ouvido e depois foi liberado. O caso é investigado pela 17ª DP, e a ocorrência foi encaminhada para avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes, que é relator da execução penal de Bolsonaro, pediu esclarecimentos à defesa e questionou a necessidade de reparos na pistola "às vésperas do encerramento" da prisão domiciliar humanitária, cujo prazo termina nesta quinta-feira, 25.
Os advogados de Bolsonaro confirmaram que o equipamento pertencia ao ex-presidente. Segundo a defesa, o registro da arma está regular no Sistema de Gerenciamento de Armas do Exército (Sigma). Ainda segundo a defesa, como o ex-presidente está sob tratamento de medicamentos que podem "afetar sua cognição", o equipamento foi desativado "sem seu conhecimento prévio".
Pode voltar para a Papudinha?
Na quinta-feira, 25, acaba o prazo de 90 dias da prisão domiciliar concedida ao Bolsonaro, e Moraes deve avaliar se prorroga o prazo ou manda o ex-presidente novamente para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
O ex-mandatário está em prisão domiciliar, em caráter humanitário, desde 27 de março, após receber alta de uma internação por broncopneumonia e sob argumento de necessidade de cuidados médicos contínuos.
Na última sexta-feira, 19, um boletim médico apontou melhora no quadro de saúde de Bolsonaro, com evolução no tratamento do ombro operado e redução das crises de soluço, além de maior disposição física. O relatório também registra efeitos colaterais como sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio.