A partir de 2027, a bancada feminina no Senado crescerá 20%, passando de 15 para 18 parlamentares, o que representa apenas 22,2% do total de 81 cadeiras. Das atuais senadoras, nenhuma conseguiu a reeleição, enquanto 16 Estados elegeram apenas homens. O Distrito Federal foi a única unidade a eleger duas mulheres, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que se juntarão a Damares Alves. A maioria das novas integrantes da Casa é alinhada à oposição conservadora, ante quatro apoiadoras do governo Lula.
BRASÍLIA - A bancada feminina do Senado Federal passará de 15 para 18 senadoras a partir de 1.º de fevereiro de 2027, mostra levantamento do Estadão com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As três cadeiras a mais representam um aumento de 20% e não revertem o cenário de baixa representatividade das mulheres na Casa.
Essas 18 parlamentares equivalem a apenas 22,2% dos 81 assentos no Senado. As senadoras eleitas são de 11 Estados e no Distrito Federal neste ano e se somam às seis senadoras que têm mandato até 2031.
Das nove senadoras que ficam nos cargos até fevereiro, quatro tentaram a reeleição: Eliziane Gama (PT-MA), Leila do Vôlei (PDT-DF), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Zenaide Maia (PSD-RN). Nenhuma conseguiu.
As eleições de 2026 renovam dois terços das 81 vagas do Senado e cada unidade federativa escolhe dois representantes para mandatos de oito anos. Dezesseis Estados elegeram apenas homens.
O Distrito Federal destoa do restante do Brasil, uma vez que foi a única unidade da federação a eleger duas mulheres para o Senado. Embaladas pelo eleitorado conservador e antipetista, ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada Bia Kicis (PL-DF) se somarão à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para formar uma bancada totalmente feminina.
Além de Michelle, outras três ex-primeiras-damas venceram nas urnas: Gracinha Caiado (União-GO), do Estado de Goiás; Marina JHC (PSDB), de Maceió; e Rayssa Furlan (Podemos-AP), de Macapá. Com as eleições de JHC (PSDB) e de Dr. Furlan (PSD) para governadores de Alagoas e do Amapá, as últimas voltarão a ser primeiras-damas.
As deputadas federais Carol De Toni (PL-SC) e Luizianne Lins (Rede-CE) alçaram ao Senado, assim como as ex-deputadas federais Mara Rocha (Republicanos-AC) e Marília Arraes (PDT-PE), que voltarão a ter mandato.
Outros nomes novos na Casa são os da ex-prefeita de Contagem e ex-deputada estadual Marília Campos (PT-MG), da ex-prefeita de Boa Vista e ex-deputada federal Teresa Surita (MDB-RR) e da vereadora de Natal Samanda de Lula (PT-RN).
Das novas senadoras, quatro apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Marília Arraes, Marília Campos, Luizianne e Samanda de Lula. Seis são aliadas a Flávio: Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Carol De Toni, Mara Rocha, Rayssa Furlan e Teresa Surita - Marina JHC evita apoiá-lo publicamente. Já Gracinha Caiado formava chapa com o marido, o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).
O Brasil elegeu a primeira senadora, Eunice Michiles (do extinto partido Arena, pelo Amazonas), em 1979. O País levou 153 anos para ter a primeira mulher no posto desde a criação da Câmara dos Senadores (posteriormente, Senado Imperial), em 1826, durante o Império de D. Pedro I.