Candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury afirmou que a vitaliciedade de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) precisa acabar. A declaração foi dada a jornalistas em sabatina realizada pelo SBT News, nesta terça-feira, 18.
O escritor sinalizou que, se eleito, tentaria modificar a composição da Suprema Corte. "Eu defendo nove membros, para reduzir gastos, e dois terços deveriam ser magistrados de carreira. Quem deveria escolhê-los são as próprias classes de juízes."
Ainda sobre o Poder Judiciário, Cury foi perguntado se houve tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, ao que replicou de forma evasiva. "Difícil de dizer. Não vou entrar no tema, porque eu quero pacificar a nação, que está polarizada e radicalizada."
O candidato do Avante, contudo, disse que reuniria um grupo de juristas para analisar as penas dos condenados que, na opinião dele, foram desproporcionais.
Reforma administrativa e empreendedorismo
No tema econômico, o escritor disse que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) precisa apoiar empresas pequenas e microempreendedores individuais (MEI). "É preciso financiar dez milhões de microempresas para preparar o Brasil. Eu dividiria o BNDES em dois bancos na primeira semana: um para grandes empresas, outro para as micros."
Augusto Cury afirmou ser necessária uma reforma administrativa e corte de ao menos 15 mil cargos públicos comissionados, além da fusão de Ministérios. Ele ainda declarou que não acabaria com programas sociais como o Bolsa Família, mas encorajaria os beneficiários a se tornarem empreendedores.
Questionado sobre como governaria, disse que iria reunir setores políticos em torno de um "pacto nacional". O escritor afirmou que convidaria economistas para auxiliá-lo em um eventual governo, citando Ilan Goldfajn e Armínio Fraga. Também fez acenos a diversos nomes da direita, como Ratinho Júnior (PSD), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
O candidato também disse já ter dialogado com nomes do centrão, como Gilberto Kassab (PSD), Marcos Pereira (Republicanos) e Renata Abreu (Podemos). "Por mais que se possa criticá-lo, o centrão é um fenômeno político importante, porque ele equilibra as coisas." Cury ainda declarou que implementaria um regime semipresidencialista e voltou a citar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como possível nome para primeiro-ministro.
Em outro momento, no entanto, Augusto Cury adotou discurso de candidato "outsider" e gestor de empresas. "Não tenho a experiência da política tradicional e nem quero tê-la, porque ela afundou o País. Nunca encontrei um ambiente tão tóxico." Diante da contradição de concorrer a um cargo político, Cury disse que escolheu entrar na corrida eleitoral por não querer se omitir.
Comparado a outras candidaturas de "outsiders", como a de Pablo Marçal (PRTB), o escritor disse respeitar o candidato à Presidência inelegível até 2032, além de acenar para Silas Malafaia pelo apoio que recebeu do pastor.