O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) chamou o colega Lindbergh Farias (PT-RJ) de "criminoso" nesta terça-feira, 28, durante discurso no plenário da Câmara dos Deputados. Ele afirmou que quer a cassação de Lindbergh por tê-lo acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos.
"Isso foi uma denunciação caluniosa de um criminoso chamado Lindbergh Farias. Eles querem enxovalhar a honra de homens decentes para descer ao esgoto da política", afirmou Gaspar. "Seja homem, seu canalha, seja homem para renunciar o mandato. O seu lugar, bandido, é na cadeia".
Procurado pelo Estadão, o deputado Lindbergh Farias informou que entrou com uma nova representação no Conselho de Ética da Câmara após as declarações. Ele já apresentou requerimento por quebra de decoro parlamentar em que pede a perda de mandato de Alfredo Gaspar. "Ele que começou na CPMI atacando minha honra e está fazendo isso desde então", afirmou
O petista informou que apresentará novas queixas à Polícia Federal, relacionadas a ameaças recebida por seus familiares. "Agora vou deixar esse senhor falando sozinho. Ele tem que responder à PF", disse.
Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) acusaram Gaspar de estupro de vulnerável e tentativa de suborno. Eles dizem ter recebido informações de que o estupro, oito anos atrás, resultou em gravidez da adolescente e envolveu um intermediário do parlamentar tentando comprar o silêncio da vítima.
A acusação foi feita enquanto Gaspar lia o relatório final da CPI do INSS com proposta de indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lindbergh e Soraya enviaram à Polícia Federal pedido de investigação contra ele.
O relator da CPI do INSS nega as acusações. Ele apresentou queixa-crime por calúnia contra os dois à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e entrou com representação no Congresso em que pede suspensão cautelar dos mandatos de Lindbergh, Soraya e dos deputados Rogério Correia (PT-MG) e Erika Kokay (PT-DF). Também enviou ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em que se colocou à disposição para elucidar os fatos.
Na última quinta-feira, 23, o parlamentar publicou em suas redes sociais vídeo em que mostra processo de coleta de DNA realizado em Maceió (AL) por iniciativa própria. "Pedi à Justiça a antecipação da prova, e o próprio Judiciário indicou o local da coleta?", declarou.