AGU pede intervenção do Brasil em processo da Rumble e Truth Social contra Moraes nos Estados Unidos

Advocacia-Geral da União afirma que ação contra Alexandre de Moraes é, em última análise, 'uma tentativa de ofensa à soberania nacional e à independência do Poder Judiciário brasileiro'

15 jun 2026 - 11h35
(atualizado às 18h22)

BRASÍLIA - A Advocacia-Geral da União (AGU) vai requerer nesta segunda-feira, 15, o direito de o Brasil atuar como parte na ação judicial movida pelas empresas Rumble Inc e Trump Media & Technology Group Corp, dona da rede social Truth Social, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um tribunal da Flórida (EUA).

O magistrado é alvo das empresas americanas, dentre elas a que tem Donald Trump como dono, por causa das suas ordens para remoção de conteúdo nessas redes sociais. As plataformas acusam Moraes de violar a soberania americana. O mesmo argumento é replicado pela AGU ao requerer a intervenção brasileira no caso em curso nos Estados Unidos.

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O ministro da AGU, Jorge Messias, ao lado do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O ministro da AGU, Jorge Messias, ao lado do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO / Estadão

"O Brasil não consentiu e não consentirá com a apreciação de decisões de nossa Suprema Corte por juízes de outro país. Decisões judiciais brasileiras devem ser cumpridas ou questionadas perante nossos próprios tribunais, de acordo com a lei processual vigente no Brasil", escreveu a AGU em nota à imprensa.

A AGU afirma que o objetivo da intervenção é que o processo seja extinto. "Trata-se, em última análise, de uma tentativa de ofensa à soberania nacional e à independência do Poder Judiciário brasileiro", completou.

A pasta vai requerer ao tribunal da Flórida a habilitação do Estado brasileiro nos autos do processo. A ação movida pelas empresas tem como alvo apenas Moraes, mas o Brasil passará a intervir a favor do ministro na ação por compreender que uma autoridade brasileira não pode ser submetida à jurisdição de tribunais estrangeiros.

"A medida tem por objetivo promover a defesa dos interesses do Estado Brasileiro e sustenta, sobretudo, que decisões judiciais proferidas pela Suprema Corte de nosso país não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros", explicou a AGU.

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"A submissão de atos jurisdicionais soberanos à apreciação de cortes de outros países implica grave ofensa à imunidade de jurisdição, princípio consagrado no Direito Internacional e reconhecido também pelas leis dos Estados Unidos", prosseguiu na nota.

No dia 22 de maio, a Justiça dos Estados Unidos autorizou a Rumble a Trump Media a citarem Moraes por email. A Corte americana aguarda a manifestação de Moraes na ação ou eventual pedido de mais prazo. Se não houver resposta, as empresas poderão pedir o registro de revelia, o que pode abrir caminho para novas medidas no processo.

A citação é o ato formal pelo qual uma pessoa é informada de que responde a uma ação e passa a ter prazo para se manifestar no processo. No mesmo período, as empresas deverão apresentar ao tribunal a prova de que a comunicação foi feita.

A atuação da AGU em favor de Moraes ocorre meses após o magistrado agir nos bastidores pela rejeição da indicação de Jorge Messias, chefe da pasta, ao cargo de ministro do STF.

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