A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra a venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi, envolvendo nomes ligados à diretoria do São Paulo Futebol Clube, que já enfrenta uma grave crise institucional com acusações de má gestão e irregularidades.
A Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) faz uma operação nesta quarta-feira, 21, contra a venda ilegal de camarotes no Morumbis, estádio do São Paulo.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Ao todo, as equipes da 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração (DPPC) cumprem quatro mandados de busca e apreensão, na capital paulista, contra três investigados. Segundo a TV Globo, os alvos são:
- Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo;
- Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos;
- Rita Adriana, a pessoa que negociava ilegalmente os camarotes.
O São Paulo Futebol Clube (SPFC) atravessa uma de suas maiores crises institucionais. Na última sexta-feira, 16, o Conselho Deliberativo do clube aprovou o processo de impeachment do dirigente Julio Casares. Diante das acusações de má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso irregular de camarote do estádio, 188 dos 235 conselheiros votaram pela saída de Casares. Ele foi afastado do cargo.
Agora, o impeachment segue para uma assembleia dos sócios, que deve ser convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres. Nela, basta uma maioria simples para a destituição do presidente ser confirmada. Até lá, o vice, Harry Massis Junior, assume interinamente o comando do São Paulo.
O Terra busca contato com a defesa dos citados e com o SPFC.
Os bastidores conturbados no Morumbis
Desde o fim de 2025, a gestão liderada por Júlio Casares começou a estampar as capas policiais. A principal acusação que envolve o nome do presidente aponta depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
Por meio dos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a defesa do presidente são-paulino afirmou que "a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso o integralidade do inquérito policial".
A Polícia Civil também identificou "manobras financeiras de alta sofisticação para a dissimulação de valores" em uma conta em nome de Deborah de Melo Casares, filha de Julio Casares. O relatório diz que as contas física e jurídica receberam um total de R$ 157,1 mil.
Sem ter o nome de Casares citado no caso, as autoridades analisam 35 saques em dinheiro em espécie feitos das contas do São Paulo, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.
O primeiro caso a vir à tona envolve Mara Casares, ex-esposa do presidente são-paulino. Ainda no ano passado, áudios divulgados pelo ge mostram o dirigente Douglas Schwartzmann dizendo que Mara recebeu um camarote do superintendente Márcio Carlomagno e comercializou os ingressos para o show da Shakira, em fevereiro de 2024. O ato é considerado ilegal.
Em publicação em uma rede social, a ex-esposa de Casares afirmou que o áudio foi tirado de contexto, "traz uma conotação que não reflete a verdade dos fatos nem a minha intenção" e "em nenhum momento houve benefício pessoal". Ela se afastou da diretoria feminina, cultural e de eventos do clube.