A Justiça de São Paulo decretou, nesta segunda-feira, 16, a prisão preventiva da delegada da Polícia Civil Layla Lima Ayub, que ficou conhecida como ‘delegada do PCC’, e de seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’, apontado como líder da facção na região norte do País. O casal está preso temporariamente desde janeiro, sob acusação de elo com a facção, incluindo esquema de lavagem de dinheiro.
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A medida foi decretada pelo juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa. O inquérito da Corregedoria da Polícia Civil apontou que ela colaborou com a facção, valendo-se do cargo.
Layla teria compartilhado dados sigilosos da Academia de Polícia e acessado a nuvem de um colega da corporação. Ela ainda teria comunicado endereço falso, atuado em audiência como advogada depois de já ter sido empossada na polícia paulista – em dezembro de 2025 –, dado suporte à evasão e descumprimento de condições, além de ter produzido e divulgado material musical exaltando o PCC.
“Conforme demonstrado no relatório policial, os fatos sob apuração revelam a atuação dos investigados (Layla e ‘Dedel’) em integração e liderança de organização criminosa, com capacidade de coordenação em dois estados simultâneos, Pará e São Paulo, além da logística de lavagem de dinheiro e difusão midiática de apologia”, diz o magistrado.
A ‘delegada do PCC’ tomou posse do cargo no dia 19 de dezembro, em evento no Palácio dos Bandeirantes. Na cerimônia, Layla estaria acompanhada do namorado. No dia 29 do mesmo mês, atuou como se ainda fosse advogada em uma audiência por vídeoconferência na Justiça de Marabá (PA), representando a defesa de integrantes de uma outra poderosa célula do crime organizado, o Comando Vermelho (CV), segundo o inquérito da Corregedoria.
Para sustentar o pedido da conversão para preventiva, a investigação destacou que ela acessou a nuvem de um delegado para “antecipar-se a diligências, inclusive discutindo estratégias de obstrução, existindo risco concreto de destruição de vestígios digitais, combinação de depoimentos e intimidação indireta de agentes públicos”.
Já sobre Dedel, a sustentação foi a de que ele “exerce a função de liderança da facção criminosa PCC no Pará”, além de produzir e disseminar conteúdo relacionado à facção. Ele teria sido incumbido da “prática de atentados contra autoridades do sistema prisional e magistrados”.
Segundo o juiz Deroma, “a custódia cautelar visa também à conveniência da instrução criminal, assegurando a participação dos investigados nos principais atos processuais, resguardando, ainda, as testemunhas, de modo que se mantenham isentas de coação ou pressão, preservando a prova a ser colhida durante a fase judicial, sob o crivo do contraditório”.
Risco de fuga
Ainda conforme o magistrado, existe a possibilidade de fuga de Layla e de seu namorado, levando em consideração a quantidade de pena prevista para os crimes imputados contras os dois. “Não é desprezível a possibilidade de evasão, o que, inexoravelmente, implicaria no retardamento da marcha processual, obstando a desejável citação pessoal e o efetivo cumprimento de eventual pena condenatória, em evidente prejuízo à aplicação da lei penal.”
O juiz ainda aponta que a medida se faz necessária, para que se assegure a instrução criminal, e para a garantia da ordem pública, com a cessação das atividades criminosas.
Ele destaca ainda que “eventual primariedade não é suficiente para impedir a segregação cautelar, uma vez que, conforme indicado pelos elementos de convicção juntados, os requeridos possuem no crime seu meio de vida, dedicando-se de forma reiterada às práticas delitivas”.
Até o momento, a defesa de Layla e Dedel não foram localizados. (**Com informações do Estadão)