Irmãs suspeitas de integrar uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas foram presas nesta quinta-feira, 2 de junho, durante uma operação da Polícia Civil de Pernambuco (PC-PE) na Comunidade do Detran, localizada no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife.
Segundo as investigações, além da atuação no grupo criminoso, elas obrigavam moradores da região a contratar um serviço de internet controlado pela quadrilha.
A ofensiva, batizada de Operação Cerco Estratégico, teve como objetivo desarticular um esquema que utilizava a intimidação para impedir a atuação de empresas concorrentes no fornecimento de internet.
As suspeitas, identificadas como Angélica e Amanda, seriam responsáveis pela empresa que operava o serviço na comunidade e mantinham vínculos familiares com integrantes do chamado Bonde dos Irmãos Metralha.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo também atua na Ilha do Bananal, apontada pelas investigações como uma das principais bases da organização criminosa na região.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão. Além das duas mulheres, os policiais formalizaram o cumprimento de um mandado contra Natanael, integrante da quadrilha que já se encontrava preso no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife.
As equipes também executaram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados. Um dos endereços era a residência de uma das irmãs, descrita pelos policiais como uma estrutura fortemente protegida.
Durante entrevista coletiva, o delegado Ney Luiz revelou que Angélica era companheira de Leonardo, conhecido como "Léo Shazam", apontado como antigo líder do grupo criminoso e morto em Alagoas.
As investigações também identificam Romário Lucas da Silva, conhecido como "Pelé", como um dos chefes da organização que permanece foragido. Segundo a polícia, ele possui três mandados de prisão em aberto.
Conforme explicou o delegado, as duas irmãs utilizavam a influência da facção para monopolizar o serviço de internet na comunidade. Moradores eram pressionados a contratar exclusivamente a empresa administrada por elas, sem possibilidade de escolha.
"Eram pessoas ligadas diretamente ao tráfico e exploravam esse serviço como mais uma fonte de renda da organização criminosa. Também investigamos possíveis crimes de lavagem de dinheiro, pois identificamos movimentações financeiras consideradas suspeitas", afirmou Ney Luiz.
Ainda segundo o delegado, a resistência encontrada pelas equipes durante a operação demonstrou o nível de controle exercido pela quadrilha sobre a área.
"A intenção era impedir qualquer outra empresa de atuar na comunidade. Havia uma tentativa clara de implantação de um estado paralelo, em que os próprios criminosos definiam quem poderia ou não prestar serviços aos moradores", destacou.
A Operação Cerco Estratégico é um desdobramento da Operação Iara, iniciada em maio deste ano. Desde o começo das investigações, a Polícia Civil já prendeu 17 suspeitos, apreendeu 17 armas de fogo, mais de 3,7 mil munições e grande quantidade de entorpecentes.
As apurações indicam que a Comunidade do Detran funcionava como um importante centro de distribuição de drogas para diversos bairros da Região Metropolitana do Recife, além de servir como ponto estratégico para integrantes da organização criminosa.