A advogada Daniele Bezerra se manifestou nesta quinta-feira, 21 de maio, após a prisão da irmã, a influenciadora Deolane Bezerra, durante uma operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP).
A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e resultou em mandados de prisão, buscas e bloqueios milionários de bens e contas bancárias.
Em publicações feitas nas redes sociais, Daniele afirmou que a irmã vem sendo alvo de perseguição e criticou o que chamou de julgamento antecipado por parte da opinião pública.
"A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar", escreveu.
A advogada afirmou ainda que acusações precisam ser comprovadas antes de qualquer condenação pública e questionou a exposição envolvendo o nome da influenciadora.
Segundo Daniele, o caso estaria sendo tratado de maneira desproporcional antes mesmo da conclusão das investigações.
"Espetacularização"
Nos stories publicados no Instagram, a irmã de Deolane declarou que o sistema de Justiça não pode ser utilizado como forma de pressão ou espetáculo midiático.
"Primeiro destroem a imagem da pessoa para depois buscar provas", afirmou.
Ela também reforçou que prisão preventiva não deveria ser utilizada como ferramenta de "vingança social" ou marketing.
O posicionamento aconteceu poucas horas após a confirmação da prisão de Deolane na chamada Operação Vérnix, que mira movimentações financeiras atribuídas a integrantes e operadores ligados à facção criminosa.
Depósitos suspeitos
Segundo os investigadores, Deolane teria recebido depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021.
Os relatórios apontam movimentações superiores a R$ 1 milhão realizadas em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como "smurfing", utilizada para tentar dificultar rastreamentos financeiros.
A investigação também cita duas empresas ligadas à influenciadora que teriam recebido cerca de R$ 716 mil de uma companhia apresentada como instituição de crédito.
Os investigadores afirmam que o responsável formal pela empresa possui renda incompatível com os valores movimentados.
Bloqueio de bens
Como parte das medidas autorizadas pela Justiça, foram determinados:
- bloqueio de R$ 27 milhões vinculados a Deolane;
- apreensão de veículos;
- bloqueios financeiros que, somados, ultrapassam R$ 357 milhões entre os investigados.
A operação também tem como alvo familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC.
Presa em 2024
Esta não é a primeira vez que Deolane enfrenta investigação relacionada a movimentações financeiras.
Em setembro de 2024, ela chegou a ser presa durante a Operação Integration, que investigava lavagem de dinheiro e jogos ilegais.
Na ocasião, a influenciadora chegou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas voltou ao presídio após descumprimento de medidas cautelares antes de ser liberada posteriormente.
Até o momento, a defesa de Deolane afirma que as acusações ainda precisam ser comprovadas oficialmente no decorrer do processo judicial.