Antonio Carlos Freixo Jr., conhecido como “Mineiro” e delator nas investigações sobre o Banco Master, é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24. Segundo informações do Estadão, ele é investigado por supostamente ajudar os empresários Roberto Augusto Leme, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, a ocultar a participação deles na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
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Os dois empresários são apontados pelo Ministério Público como chefes da organização investigada e estão foragidos. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa no setor de combustíveis.
Freixo é dono da Entre Investimentos e ficou conhecido nas investigações do Banco Master por sua atuação como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Em sua delação, ele admitiu ter realizado operações a pedido do ex-banqueiro.
A empresa de Freixo teria sido utilizada, segundo as investigações, em operações relacionadas a Beto Louco e Primo. Uma delas envolve a Usina Itajobi, no interior de São Paulo, que teria sido usada para ocultar a identidade dos verdadeiros controladores do negócio.
A usina também teria participado de uma estrutura financeira usada na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. A empresa teria sido adquirida por até R$ 153 milhões.
De acordo com o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas e contas de passagem antes de chegar à estrutura responsável pela aquisição da Terrana. Entre as empresas citadas estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.
O Ministério Público afirma ainda que o Grupo Entre, de Freixo, mantinha relações com empresas ligadas a Beto Louco e Primo e com outros grupos investigados. “O ecossistema de clientes do Grupo Entre aparentemente orienta que as suas atividades são direcionadas para a lavagem de capitais”, afirmou o MP em manifestação à Justiça.
Segundo a Promotoria, também foram identificadas estruturas financeiras relacionadas a prêmios e apostas que, em tese, poderiam ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro.
Freixo também aparece nas investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas sobre sua delação, ele realizou sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, que totalizaram US$ 12,3 milhões em 2025. O caso é uma das frentes mencionadas na colaboração firmada no âmbito das investigações do Banco Master.
Entenda o caso
A Operação Crédito Oculto é uma nova frente da Operação Carbono Oculto, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis.
Nesta quinta-feira, agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e da Receita Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em sete estados. Entre os alvos estão o executivo do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto, seus irmãos André e Bruno Tupinambá, além de Freixo.
A investigação se concentra na aquisição da Terrana e na suspeita de que fundos de investimento, empresas e operações financeiras tenham sido utilizados para ocultar os verdadeiros responsáveis pelo negócio.