O apartamento onde Isabelle Caracristi, de 22 anos, morava com o namorado João Munhoz Neto, de 34 anos, passou por uma limpeza e foi colocado à venda pouco depois da morte da jovem. Segundo o Márcio Gutiérrez, Delegado-Geral da Polícia Civil do Ceará, esse foi um dos elementos que levou a Polícia Civil a pedir a prisão preventiva do rapaz.
“Temos informações de que o apartamento teria sido limpo e colocado à venda, isso informações também de pessoas que trabalham naquele condomínio. Tudo isso foi sendo colocado dentro desse panorama investigativo”, explicou ao delegado-geral durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 23.
Ainda segundo o delegado, outro fator que colaborou para a decisão das autoridades foi a postura “não colaborativa” do namorado da jovem. “Ele saiu com as malas, pediu ajuda, foi no apartamento, retirou seus pertences e em nenhum momento se procupou em dizer onde seria localizado, quem poderia ser um ponto de contato entre ele e a família, e até a própria polícia”, afirmou.
Gutiérrez detacou ainda que o fato de Munhoz Neto não tentar contato com nenhum familiar da jovem para avisar sobre a morte e ainda ter proibido a entrada no condomínio, conforme depoimentos. Todos esses elementos levaram a investigação a pedir por medidas judiciais.
O mandado de prisão preventiva contra Munhoz Neto foi cumprido nesta terça-feira, 22, baseado em duas tipificações penais: ameaça e incitação ao suicídio. A informação é da TV Verdes Mares. Ele foi capturado em um prédio na Avenida Santos Dumont, no bairro Aldeota, na capital cearense.
Ao Terra, a Polícia Civil esclareceu que a finalidade da prisão é a de garantir a instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal.
A advogada Lígia Peixe, que representa Munhoz Neto, declarou à TV que recebeu com surpresa o pedido de prisão, já que ele havia se apresentado voluntariamente às autoridades na noite de segunda-feira, 21.
"Entregou o celular, deixei meus telefones, disse que a hora que precisassem ouvi-lo ele estaria em qualquer lugar. Demos o endereço [dele], e de repente a gente é surpreendido com isso. Foi suicídio? Foi, o que é que ele tem a ver com isso? Ele não estava em casa”, afirmou.
A advogada também confirmou que o homem é casado, mas que há um processo de divórcio em andamento. "Ele em nenhum momento negou para ela. Talvez por isso a mãe não goste dele. Ele estava separado, de fato, da esposa, mas existe já o procedimento de divórcio amigável", declarou Lígia.
As autoridades informaram que o celular dele passa por análise.
Relacionamento com Isabelle e dia da morte
Munhoz Neto e Isabelle namoravam desde julho deste ano, após se conhecerem em um escritório de advocacia, onde a jovem estagiava. A estudante de Direito se mudou para o apartamento do namorado, onde também moram a mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz, e o irmão.
No dia da morte de Isabelle, as câmeras de segurança registraram os dois juntos às 17h58. João Munhoz aparece descendo para buscá-la na portaria e os dois sobem juntos de elevador.
Às 18h33, João deixa o prédio com outra roupa. Às 19h22, dez minutos antes da última mensagem enviada para a mãe, em que diz que a ama, Isabelle entra no elevador a caminho da cobertura do prédio, no 23º andar. O apartamento do namorado está localizado mais abaixo, no 15º andar.
A polícia apontou que a morte de Isabelle ocorreu às 20h40. As imagens também mostram o namorado voltando para o prédio às 22h48, quando o carro da perícia forense já está na garagem. Ele desapareceu depois da morte da jovem.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Ceará afirmou que os exames realizados mostraram lesões no corpo de Isabelle compatíveis com impacto contra o solo. Além disso, os exames deram resultado negativo para substâncias toxicológicas, e confirmou que ela não estava grávida.
Quem é João Munhoz Neto?
O namorado de Isabelle sumiu e excluiu os perfis nas redes sociais, mas manteve ativa sua página no LinkedIn. Lá, há a descrição de sua trajetória profissional: formado em Direito em 2023 pela Uninassau, João atuava como correspondente jurídico. Ele ainda não tem registro na Ordem de Advogados do Brasil (OAB).
João Munhoz diz ter experiência no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, igualmente, no Juizado Especial Cível e Criminal do Ceará, Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI-CE) e em um escritório especializado na área Cível, Empresarial e Previdenciária. Além disso, tem uma pós-graduação concluída e outra em andamento.