Beto Sicupira e filho de Jorge Lemann são alvo da PF por fraude de R$ 54 bilhões da Americanas

Investigação aponta que grupo é responsável pela maior fraude da história do mercado financeiro

25 jun 2026 - 07h38
(atualizado às 09h38)
Lojas Americanas está em recuperação judicial
Lojas Americanas está em recuperação judicial
Foto: Werther Santana / Estadão / Estadão

A Polícia Federal (PF) realiza nesta quinta-feira, 25, a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga uma suposta fraude contábil de R$ 54 bilhões da varejista Americanas. A ação acontece com apoio do Ministério Público Federal (MPF). Entre os alvos estão o empresário Beto Sicupira e o filho de Jorge Lemann, Paulo Alberto Lemann, controladores da varejista, segundo o Estadão.

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Em ‌nota, sem citar nominalmente ‌alvos da operação, a ⁠PF disse que cumpre nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo buscas pessoais, e ‌que a Justiça Federal do ‌Rio de ⁠Janeiro ⁠determinou o sequestro de bens e valores ⁠em ‌nome dos investigados ‌até o limite de R$54 bilhões.

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A força-tarefa apura se acionistas e representantes dos principais bancos privados do país participaram do esquema. Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico.

As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

Ex-executivos da empresa teriam montado um esquema para inflar artificialmente os lucros e o caixa da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços para valorizar as ações negociadas na Bolsa. Segundo a investigação, os envolvidos recebiam bônus milionários atrelados ao desempenho financeiro e lucravam com a venda de papéis valorizados artificialmente.

Procurada, a Americanas não comentou sobre a operação até a publicação desta reportagem.

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A 1ª fase da operação

O caso de fraude contábil das Americanas foi revelado em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa informou ter identificado inconsistências em lançamentos contábeis que somavam, inicialmente, cerca de R$ 20 bilhões. Isso levou a empresa a pedir recuperação judicial.

Em junho de 2024, a Polícia Federal realizou a primeira fase da Operação Disclosure, cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão contra ex-executivos da companhia.

O ex-CEO Miguel Gutierrez, que morava na Espanha, foi preso em Madri um dia depois de ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ele não é alvo de novo mandado nesta quinta-feira, 25.

Em agosto de 2024, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região revogou a prisão preventiva de Gutierrez por entender que não havia fuga da jurisdição brasileira. Em março de 2025, após o indiciamento pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da empresa.

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O esquema era liderado por Gutierrez e envolvia uma grande estrutura para manipular resultados financeiros, enganar investidores e ocultar a verdadeira situação patrimonial das Americanas. Os denunciados respondem por crimes de organização criminosa, manipulação de mercado, falsidade ideológica e, em parte dos casos, uso de informação privilegiada.

Em março de 2026, as Americanas informaram que a empresa entrou com pedido na Justiça para encerrar o processo de recuperação judicial. A solicitação foi feita após o cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores, dentro do prazo legal de dois anos após a homologação.

Fonte: Portal Terra
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