PF mira publicitário que preparava dossiês para Vorcaro; CEO do Itaú estava entre os alvos

As informações constam ⁠de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do ‌caso Master.

9 jul 2026 - 18h08
(atualizado às 21h04)
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Foto: Divulgação/Banco Master / Estadão

A Polícia Federal deflagrou ‌nesta quinta-feira operação contra o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias e contratado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma operação de comunicação em defesa do liquidado Banco Master, e que envolveu ataques ao Banco Central e um dossiê sobre o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho.

As informações constam ⁠de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do ‌caso Master. O magistrado autorizou a busca e apreensão de equipamentos eletrônicos como computadores e celulares, documentos, registros contábeis, dinheiro e outros ‌elementos para a investigação encontrados em diversos ‌endereços do publicitário.

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De acordo com a decisão de Mendonça, a ⁠Polícia Federal indica que há elementos apontando que Miranda, além de ter sido responsável por uma operação para contratar influenciadores que defendessem o Master e criticassem o Banco Central, teria participação direta em tentativas de intimidação de jornalistas, monitoramento ilícito de pessoas, obtenção ilícita de ‌informações sigilosas -- incluindo o sigilo bancário de alvos do grupo -- e tentativa ‌de interferir em investigações ⁠criminais.

Dono de uma ⁠agência de comunicação, Miranda era até agora tratado como testemunha nas investigações do ⁠caso Master. O publicitário havia passado ‌informações à PF e ‌a jornalistas sobre a operação com influencers e também sobre o patrocínio de Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No entanto, diálogos entre o publicitário e o banqueiro, que está ⁠preso, teriam dado indícios à PF de que Miranda foi o responsável por levantar informações sobre a vida profissional, pessoal e financeira da jornalista do jornal O Globo Malu Gaspar, em uma tentativa de descredibilizá-la. Malu foi a primeira ‌jornalista a revelar atividades suspeitas de Vorcaro e do banco Master.

Miranda foi procurado pela Reuters após a operação, mas não foi encontrado ⁠para comentar. Não foi possível localizar de imediato sua defesa.

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A investigação revelou ainda que, a pedido de Vorcaro, a agência de Miranda fez um levantamento sobre o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. Em um dos diálogos, Vorcaro pede a Miranda um levantamento sobre ele, dizendo que o banqueiro estava lhe causando "muito problema". Semanas depois, Miranda afirma que o levantamento estava pronto.

Procurado, o Itaú não comentou a informação.

A Operação Compliance Zero investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito do Master, que foi liquidado pelo Banco Central no ano passado.

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