O site da emissora francesa France 24 destaca que a condenação ocorre oito anos após a morte da vereadora que era símbolo do movimento negro e LGBTQIA+ no Rio. "Dois responsáveis políticos foram considerados culpados por um crime que abalou o Brasil", diz a matéria, citando o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, de 62 anos, e seu irmão Domingos, de 60 anos, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.
O canal de TV francês relembra as circunstâncias do assassinato de Marielle em 14 de março de 2018, "uma execução em pleno centro do Rio", afirma. A vereadora havia participado de um encontro em defesa das mulheres negras e retornava para casa de carro, acompanhada pelo motorista Anderson Gomes. Eles foram perseguidos e alvejados pelo ex-policial Ronnie Lessa, condenado a 78 anos de prisão em 2024. A brutalidade do crime provocou uma onda de comoção no país e milhares de brasileiros saíram às ruas para exigir justiça, destaca a reportagem.
O jornal espanhol El País afirma que finalmente há uma resposta para a pergunta que os brasileiros fizeram durante oito anos: "Quem mandou matar Marielle?". O diário ressalta a afirmação do ministro e relator do caso, Alexandre de Moraes, de que o crime envolveu, além de interesses políticos e econômicos, racismo e misoginia. A reação emocionada da juíza Cármen Lúcia também chamou a atenção de El País, que apontou o caráter machista do assassinato e questionou quantas outras mulheres como Marielle o Brasil ainda permitirá que sejam mortas.
Vínculos entre política, crime e polícia
Para o jornal britânico The Guardian, o caso é um exemplo alarmante de como os vínculos entre política, crime e polícia estão profundamente enraizados no Rio, alcançando até mesmo os mais altos níveis da administração pública. O site do veículo britânico também destaca "a longa trajetória de quase uma década para garantir as condenações", marcada pela destruição de provas, trocas frequentes de investigadores e até a revelação de que o então chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, atuou ativamente para obstruir a apuração dos fatos.
O site do jornal português Público destaca que a Primeira Turma do STF deu razão à tese do Ministério Público de que o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro foi encomendado para proteger os interesses das milícias armadas. Para os juízes, os irmãos Brazão ordenaram o crime como retaliação ao trabalho político de Marielle contra grupos criminosos que controlam áreas inteiras de bairros populares no Rio.