A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) uma nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema financeiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelas autoridades como responsável por uma fraude estimada em cerca de R$ 50 bilhões.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão em Brasília e nos estados de São Paulo, Piauí e Minas Gerais. O principal mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido e ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro.
Segundo a Polícia Federal, o senador é investigado por suspeita de receber pagamentos mensais de Vorcaro em troca de apoio político e da promoção de propostas legislativas favoráveis ao Banco Master, instituição financeira que era controlada pelo empresário.
As investigações também apontam que Nogueira fazia viagens internacionais em jatos particulares custeadas pelo banqueiro.
No aspecto financeiro, a investigação indica o recebimento recorrente de benefícios, incluindo pagamentos mensais, aquisição de participação societária com desconto considerado expressivo, quitação de despesas pessoais e utilização de bens de alto valor. Também existem indícios de recebimento de valores em dinheiro em espécie.
Entre as vantagens mencionadas na decisão de Mendonça, está o fato de Nogueira ter pago R$ 1 milhão por ações de uma empresa de Vorcaro, embora os papéis fossem avaliados em R$ 13 milhões.
Além de Nogueira, Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, também foi alvo da PF com um mandado de prisão temporária. Ele já havia sido incluído na investigação por suspeita de participação em fraudes nos fundos de investimento.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente em Brasília. Ele foi detido em novembro do ano passado, durante a primeira fase da Operação Compliance, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando, segundo a PF, tentava embarcar para Dubai em um jato particular.