Moraes acusa Mendonça de estar 'a serviço' de grupo golpista

Ministros protagonizaram bate-boca em audiência no STF

15 set 2026 - 13h56
(atualizado às 14h13)
Resumo
Durante sessão do STF, Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de atuar a serviço de golpistas após este supostamente tentar incluí-lo em delação. O embate ocorreu no julgamento sobre abrir ou não inquérito contra Moraes por ligações com Daniel Vorcaro, dono preso do Banco Master, cujo escritório da esposa do ministro tinha contrato milionário. Mendonça chamou a acusação de mentira e também discutiu com Gilmar Mendes, enquanto Moraes nega irregularidades e vê motivação política na ação.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou seu colega André Mendonça de estar "a serviço" do grupo político responsável pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Protesto contra Alexandre de Moraes diante do Supremo Tribunal Federal
Protesto contra Alexandre de Moraes diante do Supremo Tribunal Federal
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Os dois bateram boca nesta terça-feira (15), durante o início do julgamento que decidirá se Moraes deve ser investigado ou não por suas supostas relações com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso sob a acusação de comandar a maior fraude da história do sistema financeiro brasileiro.

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"Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada? Vamos trazer testemunhas, não só policiais, mas advogados, de que o ministro André, em reunião, disse 'incluam o ministro Alexandre'", declarou Moraes.

Segundo ele, Mendonça "está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país", em referência à trama contra a democracia encabeçada por Jair Bolsonaro, que cumpre pena de quase 30 anos de prisão.

Indicado pelo ex-presidente ao Supremo como um "ministro terrivelmente evangélico", Mendonça acusou Moraes de mentir em seu pronunciamento. "Mentira, mentira, mentira, podem chamar quem quiser", repetiu.

Além disso, protagonizou um bate-boca com o ministro Gilmar Mendes, que afirmou que o pedido de inquérito contra Moraes é uma "evidente condução política eleitoral". "Pessoas decentes não fazem isso", acrescentou.

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Mendonça interrompeu o colega e pediu "respeito". "Quem não se dá o respeito não merece respeito", rebateu Gilmar.

Os ministros do STF, com exceção de Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, que se declararam impedido e suspeito, respectivamente, discutiam se as acusações contra Moraes devem ser examinadas separadamente das contestações à atuação de Mendonça, que estão previstas para ser analisadas pela corte em 23 de setembro.

Moraes, com apoio de Gilmar, defende que os dois casos sejam tratados de forma conjunta. Um relatório da PF aponta que o Vorcaro mandou 52 mensagens a Moraes nas semanas que antecederam sua prisão e a liquidação do Banco Master.

"Estamos juntos desde sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo", diz um dos textos que teriam sido enviados pelo banqueiro ao ministro.

Além disso, o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de R$ 130 milhões com o Master. Moraes, por sua vez, garante que não cometeu nenhuma irregularidade.

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"Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada, e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal", afirmou o ministro em comunicado divulgado na noite de segunda-feira (14).

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