O ministro José Guimarães afirmou que o julgamento do STF sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por elos com o dono do Banco Master ajudará o eleitor a identificar ligações de candidatos com o escândalo. A estratégia governista busca associar o senador Flávio Bolsonaro ao caso e cobrar contas de R$ 134 milhões pedidos ao banco. O Planalto vê a apuração como um mal necessário para conter desgastes à imagem de Lula, já que a crise atinge Moraes, tido como aliado do governo.
O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, disse esperar que o julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes ajude o eleitor a decidir "as vinculações que cada candidato tem" com o escândalo do Banco Master.
Coube a Guimarães conceder entrevista a jornalistas nesta terça-feira, 15, enquanto a Corte aprecia o caso. Lula ignorou as perguntas e deixou evento no Palácio do Planalto, durante a manhã, sem falar com a imprensa.
Guimarães voltou a pedir, como já feito pela campanha de Lula há alguns dias, transparência e quebra de sigilo das investigações em curso sobre o caso Master.
"O que vai acontecer? Vamos aguardar. Para que a sociedade, ao decidir na eleição, tenha consciência do conteúdo, principalmente das vinculações que cada candidato tem com esse que foi o maior escândalo da história do Brasil", afirmou o ministro do governo Lula, sobre a sessão do STF.
O ministro André Mendonça, do STF, pediu a abertura de investigação contra Moraes a respeito da relação do ministro com Daniel Vorcaro, dono do Master. Ministros avaliam o caso.
Uma das estratégias do governo consiste em atrelar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao escândalo do Master. Essa foi uma das diretrizes definidas em reunião do PT na semana passada. Guimarães foi um dos que defenderam que a campanha lulista adote postura mais agressiva.
A campanha de Lula cobra a prestação de contas dos R$ 134 milhões que Flávio Bolsonaro pediu para Daniel Vorcaro sob a alegação de que esse recurso financiaria o filme "Dark Horse", obra que contaria a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Estadão mostrou que aliados de Lula entendem que o pedido de investigação de Moraes é um "mal necessário".
O Planalto tem pesquisas mostrando que a crise sem precedentes no STF não apenas respinga em Lula, como provoca desgaste em sua imagem, porque Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro na trama golpista, é considerado aliado do governo.
Inicialmente, Lula planejava gravar um vídeo para falar sobre o caso. Na manhã desta terça-feira, o presidente decidiu dar uma entrevista a uma emissora de TV à noite.