Mercado brasileiro deve ter alta após Flávio Bolsonaro superar pesquisas, dizem analistas

5 out 2026 - 05h26
Resumo
O mercado financeiro brasileiro deve abrir em forte alta após Flávio Bolsonaro (PL) superar as pesquisas e liderar o primeiro turno presidencial com 47% dos votos válidos, contra 45% do presidente Lula (PT). Analistas preveem valorização das ações e queda do dólar, impulsionadas pelo desejo do mercado por reformas e controle do déficit público. O segundo turno será marcado por disputas acirradas, escândalos de corrupção e tensões geopolíticas envolvendo potências como os EUA.

O mercado financeiro brasileiro deve reagir em alta ‌nesta segunda-feira, depois que o senador Flávio Bolsonaro superou as expectativas das pesquisas e assumiu a liderança no primeiro turno das eleições presidenciais do país no domingo, segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lideraram o grupo de 12 candidatos como os dois favoritos da eleição, em uma campanha que girou em torno do ⁠aumento do custo de vida, da corrupção, da criminalidade e da insegurança. 

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Flávio Bolsonaro obteve 47% dos ‌votos válidos, superando as previsões das pesquisas, e agora enfrentará Lula, que recebeu cerca de 45% dos votos, no segundo turno, no final deste mês.

As pesquisas apontavam que Lula ‌lideraria o primeiro turno e Flávio Bolsonaro ficaria em ‌segundo lugar.

Analistas disseram à Reuters que esperam que os mercados brasileiros reajam positivamente após ⁠o resultado, prevendo alta nas ações e fortalecimento da moeda do país.

"O mercado quer mudança, quer reformas, não quer um déficit público elevado; com o atual governo, tudo isso vai continuar", disse Pedro Galdi, analista de investimentos da plataforma AGF Investments, à Reuters, acrescentando que espera uma alta do mercado brasileiro, das ações e do real frente ao dólar.

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Há quatro ‌anos, a moeda brasileira se valorizou mais de 4% em relação ao dólar e o índice ‌de ações de referência do ⁠Bovespa, o , subiu 5,5% ⁠no dia seguinte ao primeiro turno, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve um desempenho melhor do que ⁠o esperado contra Lula.

Um desempenho semelhante pode ocorrer ‌na segunda-feira, disse Ivo Chermont, ‌economista-chefe da Quantitas.

"Os investidores vão acordar na segunda-feira com uma alta muito forte em todas as classes de ativos", disse Chermont. "Provavelmente estamos falando de uma queda do dólar na faixa de 2% a 4%, de uma alta das ações talvez de ⁠4% a 6% e de um aperto significativo tanto nas taxas de juros nominais quanto nas reais."

O forte desempenho do filho de Bolsonaro no domingo vai reacender a confiança nos mercados brasileiros no curto prazo, disse Bryan Harris, sócio-gerente da Sabio, empresa de inteligência política e corporativa.

"O mercado estará à espera de ‌sinais claros de Bolsonaro de que ele está comprometido em resolver os problemas do país", disse Harris, embora tenha acrescentado que o senador tem demonstrado pouca aptidão para a ⁠formulação de políticas econômicas.

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Na véspera da votação de domingo, aliados de Lula alertaram que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, poderia se recusar a reconhecer uma vitória de Lula, citando uma tentativa frustrada de enviar observadores eleitorais dos EUA ao Brasil.

Trump não apoiou formalmente nenhum candidato antes da votação, mas já havia recebido Flávio Bolsonaro na Casa Branca e o elogiou publicamente.

Outros haviam alertado sobre interferências externas, com a Reuters informando na semana passada que a inteligência brasileira informou autoridades francesas e alemãs sobre supostas interferências dos EUA e da Rússia antes da eleição — alegações que os EUA rejeitaram.

Os escândalos que perseguiram os principais candidatos durante o primeiro turno da campanha certamente os acompanharão no segundo, à medida que os eleitores expressam sua indignação com a corrupção.

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