Cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio França, hoje ministro do Empreendedorismo e da Microempresa, optou por não aceitar o cargo e disputar as eleições em São Paulo, de acordo com duas fontes que acompanharam as negociações do ministro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira, depois de uma reunião entre França e o presidente, e a exoneração foi publicada em Diário Oficial extra.
Com a desistência do ministro -- que deve também deixar o Empreendedorismo até sábado -- o MDIC deve ficar com o atual secretário-executivo da Pasta, Márcio Elias Rosa.
De acordo com as fontes, França quer uma das vagas ao Senado na chapa com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, mas nada ainda está definido. A intenção do presidente era que as ex-ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) fossem as candidatas ao Senado. Uma delas, possivelmente Marina, teria que deixar a chapa.
As duas, no entanto, pontuaram bem na última pesquisa para Senado em São Paulo. De acordo com a Atlas/Intel, Tebet estaria em primeiro lugar, com 22,6%, seguida do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) com 22%, e Marina, com 19,6%. Nesta pesquisa França não foi incluído.
Mas há, ainda, a possibilidade de França ser o candidato a vice-governador. Haddad pretendia ter como companheiro de chapa um nome de centro-direita, para agregar à sua campanha um eleitorado paulistano que não tem tanta simpatia pelo PT, mas pode ceder para encaixar França na chapa.
Lula havia oferecido o MDIC para França em uma tentativa de evitar a necessidade de mudar a composição em São Paulo, que agrada tanto ao presidente como a Haddad. Até quarta-feira no Palácio do Planalto era dado como certo que França aceitaria o cargo.