Para reagir nas pesquisas eleitorais contra Flávio Bolsonaro e desviar o foco de crises no STF, o presidente Lula prepara uma medida provisória para restringir ou proibir as apostas online no Brasil. A proposta gerou pânico e forte oposição dos grandes clubes de futebol, que dependem financeiramente dos patrocínios dessas empresas e alertam para o risco de falência. Apesar do impacto no esporte, o governo aposta no apoio popular, já que a maioria da população enxerga as bets como prejudiciais.
Por Lucas Rizzi - A notícia de que o governo federal prepara uma medida provisória para restringir apostas e jogos de azar online caiu como uma bomba no futebol brasileiro, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta desviar o noticiário dos escândalos no Supremo Tribunal Federal (STF) em busca de impulso para conter o crescimento de seu rival Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas para as eleições de outubro.
Algumas sondagens já colocam o filho de Jair Bolsonaro ? ex-presidente condenado e preso como líder da trama golpista para subverter o resultado do pleito de 2022 ? à frente de Lula em um eventual segundo turno, e o petista vem tentando emplacar novas pautas para tirar o foco da crise no STF.
Em apenas um dia, o presidente anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, maior programa social do país, com 19,2 milhões de beneficiários, e prometeu oferecer canetas emagrecedoras de graça no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o governo prepara uma medida provisória para restringir ou até proibir as "bets".
A ofensiva ainda não é oficial, mas já provocou reações acaloradas no futebol brasileiro, onde campeonatos, clubes, emissoras esportivas e até jornalistas são financiados pelo dinheiro aparentemente sem fim das casas de apostas.
Os principais times do país divulgaram um comunicado conjunto em que afirmam que "inviabilizar" o modelo atual abriria caminho para "plataformas clandestinas, que não pagam impostos nem respeitam limites", representando um "golpe fatal para o futebol brasileiro e levando muitos clubes à insolvência".
"O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba", diz a nota, assinada por agremiações como Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e Cruzeiro. Dirigentes esportivos também têm procurado ministros para tentar demover Lula da ideia, mas o presidente resolveu dobrar a aposta.
"Os times não podem querer que o pobre tenha que jogar. Não, não e não. Se preparem porque eu compro essa briga. E quando eu compro uma briga, eu não paro. Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets no Brasil", disse o mandatário em um comício.
A medida colocaria em xeque a sustentabilidade financeira da maior paixão dos brasileiros, o futebol, faltando cerca de duas semanas para as eleições, em um país onde o mercado de apostas movimenta mais de R$ 30 bilhões por mês, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
No entanto, uma pesquisa realizada em abril pela AtlasIntel mostra Lula pode ter algo a ganhar com a ofensiva contra as casas de apostas: 86,7% dos brasileiros veem as "bets" como "nocivas", e 63,2% apontam que elas trazem "somente prejuízos".
Além disso, as reações nas redes sociais são amplamente contrárias ao mercado de jogos de azar e apostas online.
"O fim do futebol começou quando foi permitido o patrocínio das casas de apostas. Essa maldição precisa ser extinta!", escreveu um usuário em resposta ao apelo pró-bets lançado pelos grandes clubes paulistas. "Um esporte que depende da miséria do outro para sobreviver merece acabar mesmo", acrescentou outro internauta.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro vem mantendo silêncio sobre os planos do governo petista, talvez esperando sentir a reação popular para evitar passos em falso em um momento decisivo para sua campanha. .