No primeiro turno da disputa presidencial, Lula obteve 45,2% dos votos válidos e perdeu 3,4 milhões de votos em relação a 2022, registrando seu pior desempenho desde 1998 e avançando para o segundo turno atrás de Flávio Bolsonaro, que teve 47,1%. O petista recuou em 25 estados, com perdas expressivas no Sul, Sudeste e no tradicional reduto do Nordeste, além de ver o adversário virar a liderança em Minas Gerais e Tocantins. Lula só apresentou crescimento tímido no Amapá e no Distrito Federal.
Atrás de Flávio Bolsonaro, Lula tem pior votação em 1° turno desde derrota de 1998 e vê apoio diminuir até mesmo no Nordeste. Presidente perde terreno em 25 estados e só registra crescimento - tímido - no Amapá e DF.Atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da disputa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva viu neste domingo (04/10) seu eleitorado encolher em relação à primeira rodada de 2022, quando enfrentou Jair Bolsonaro, pai do atual rival.
Em 2022, Lula havia terminado a primeira rodada com 48,43% dos votos válidos, ou cerca de 57,2 milhões de votos, superando o rival por 5,23 pontos percentuais, ou 6,18 milhões de votos. Desta vez, Lula obteve 45,2% dos votos válidos e ficou 1,9 ponto atrás de Flávio, que teve 2,24 milhões de votos a mais que o petista. Os dois vão voltar a se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.
A segunda colocação neste domingo não foi a única marca negativa de Lula. Em relação ao primeiro turno de 2022, Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos.
No histórico eleitoral do petista, a porcentagem nesta etapa de 2026 marca o pior desempenho de Lula desde a eleição presidencial de 1998, quando ele só conseguiu 31,71% dos votos válidos e acabou derrotado ainda no primeiro turno.
Neste domingo, Flávio liderou a contagem em 14 estados e no Distrito Federal, aparecendo à frente em todas as unidades federativas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Já Lula registou mais votos que Flávio em 12 estados — todos os nove da região Nordeste e três da região Norte.
Ainda na comparação com a última eleição presidencial, Lula perdeu a liderança nos estados do Tocantins e de Minas Gerais, que desta vez concederam mais votos para um candidato da família Bolsonaro.
No nível municipal, Flávio Bolsonaro conseguiu conquistar 714 municípios do país que haviam dado a maioria para Lula em 2022. O candidato do PT, por sua vez, não conseguiu virar a maioria dos votos em nenhuma cidade que havia concedido a maioria para Jair Bolsonaro há quatro anos.
Encolhimento no Nordeste
Apesar de ter terminado à frente em todos os estados do Nordeste, Lula viu sua votação total e sua participação percentual encolher nessa região que há duas décadas é um reduto eleitoral do PT.
Neste primeiro turno, a região ainda continuou a amortecer a desvantagem de Lula no Sul e Sudeste, mas o petista também perdeu terreno entre os nordestinos.
Em relação a 2022, Lula teve cerca de 260 mil votos a menos. Em votos válidos, há quatro anos, o petista havia conquistado 66,7% na região. Desta vez, foram 63,77%. Já o adversário Flávio Bolsonaro levou 30,85% dos votos válidos na região, ante 27% do seu pai em 2022.
Em votos totais, Lula cresceu timidamente em três estados da região, mas, em válidos, viu sua liderança diminuir em todos os nove estados diante do crescimento de Flávio Bolsonaro.
No Maranhão, a participação do petista caiu de 68,84%, em 2022, para 63,91% em 2026 - uma queda de 4,94 pontos percentuais. Já na Bahia, a participação foi de 69,73% para 66,04%, uma queda de 3,68 pontos.
O Piauí continuou sendo o estado nordestino onde Lula teve seu maior percentual, mas, mesmo assim, a participação caiu de 74,25% para 70,99%
Perda de terreno no Sudeste e Sul
No Sudeste, região que concentra três dos cinco maiores colégios eleitorais do país e cerca de 41% da população votante, Lula também viu sua votação diminuir em todos os estados.
Em Minas Gerais, estado considerado crucial em eleições presidenciais, Lula viu sua participação diminuir de 48,29% para 43,3%, uma queda de cerca de 5 pontos percentuais, ficando atrás de Flávio Bolsonaro. Em 2022, Lula havia liderado a votação entre os mineiros, com Jair Bolsonaro ficando 4,7 pontos atrás do petista.
Em São Paulo, Lula foi de 40,89% em 2022 para 38,20% neste ciclo - uma queda de 2,69 pontos. Em votos totais, Lula recebeu 985 mil votos a menos em São Paulo, passando de 10,49 milhões para 9,5 milhões.
Já no Rio de Janeiro a queda na participação foi um pouco menor, de 1,27.
No Sul, região que tem se mostrado a cada eleição mais desafiadora para o PT, Lula perdeu participação em todos os estados. O petista conseguiu 31,28% dos votos válidos na região. Há quatro anos, o percentual havia sido 36,8%.
Mais perdas no Norte e Centro-Oeste
As perdas de Lula também continuaram nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Em todo o Brasil, o estado no qual Lula teve maior encolhimento em votos válidos foi Goiás. Desta vez, Lula teve participação de 31,06%, um recuo de 8,45 pontos percentuais em comparação com o primeiro turno de 2022.
Em Tocantins, o petista foi de 50,40% em 2022 para 43,42% neste domingo - uma queda de 6,97 pontos.
Avanço tímido de votos válidos apenas em dois estados
Em participação eleitoral, Lula só registrou avanço em duas unidades federativas: o pequeno Amapá, na região Norte, e o Distrito Federal, no Centro-Oeste.
Nos outros 25 estados, sua fatia de votos válidos foi menor do que em 2022.
No Distrito Federal, Lula cresceu 1,26 ponto percentual. No entanto, mesmo assim Lula assim terminou atrás de Flávio Bolsonaro, conquistando 38,11% ante 36,85% em 2022. Já Flávio obteve 51,31%.
O Amapá, o segundo menor colégio eleitoral do país, foi a outra unidade federativa na qual Lula registrou crescimento. Mas o avanço foi extremamente tímido: 0,04 ponto percentual. Em 2022, Lula havia tido participação de 45,67%. Desta vez foi de 45,71%. Coincidentemente, Lula também terminou 0,04 ponto à frente de Flávio Bolsonaro no estado, por uma diferença de apenas 225 votos.
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