O Líbano e Israel concordaram com a implementação de um cessar-fogo, informou comunicado conjunto divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano nesta quarta-feira, após negociações em Washington.
O cessar-fogo está condicionado à completa cessação de disparos por parte da milícia Hezbollah, alinhada ao Irã, e à retirada de todos os seus membros do Setor Sul de Litani, diz o comunicado. Os dois lados haviam concordado com um cessar-fogo no mês passado, mas as hostilidades continuaram.
Israel invadiu o Líbano em março em perseguição ao Hezbollah, que disparou através da fronteira em apoio a Teerã.
O Irã afirmou que não iria selar um acordo para pôr fim ao conflito com os Estados Unidos e Israel, iniciado no final de fevereiro, a menos que o cessar-fogo também abranja o Líbano.
O Líbano e Israel concordaram em prosseguir com as negociações diretas para construir confiança e resolver outras questões pendentes, acrescentou o comunicado divulgado nesta quarta-feira.
Leia a íntegra do comunicado divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA
Os Estados Unidos convocaram a quarta reunião trilateral de alto nível entre representantes israelenses e libaneses para os dias 2 e 3 de junho de 2026.
Como resultado das negociações lideradas pelos EUA, Israel e Líbano concordaram com a implementação de um cessar-fogo. O cessar-fogo está condicionado à cessação completa dos disparos do Hezbollah e à evacuação de todos os seus membros do setor sul de Litani.
As duas partes concordaram, sob a orientação dos Estados Unidos, em avançar rapidamente na criação de zonas piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais.
Essas medidas permitirão avançar rumo a um acordo abrangente de paz e segurança.
Todos os países reafirmaram que o futuro das relações entre Israel e o Líbano deve ser decidido pelos dois governos soberanos. Rejeitaram qualquer tentativa, por parte de qualquer Estado ou ator não estatal, de manter o futuro do Líbano como refém.
Israel e Líbano reafirmaram que não têm intenções hostis um para com o outro e se comprometeram a continuar as negociações diretas para construir confiança, resolver todas as questões pendentes e trabalhar em direção a um acordo abrangente entre os dois países.
As delegações discutiram um quadro de segurança, com base nas discussões realizadas no Pentágono em 29 de maio, com o objetivo de garantir de forma sustentável a soberania, a segurança e a integridade territorial do Líbano e de Israel. Isso inclui o desmantelamento de grupos armados não estatais e a prevenção de seu ressurgimento.
Todas as partes condenaram os ataques do Irã contra países da região e as atividades em curso que minam a estabilidade em todo o Oriente Médio, seja por meio do apoio a grupos aliados ou por quaisquer outros atos de agressão.
Os Estados Unidos reiteraram seu apoio contínuo a ambos os governos no exercício de sua soberania. Reafirmaram que qualquer acordo para cessar as hostilidades deve ser alcançado diretamente entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não por meio de qualquer via paralela. Os Estados Unidos ressaltaram sua intenção de apoiar as Forças Armadas Libanesas, com o objetivo de aprimorar sua capacidade e permitir o exercício efetivo da soberania em todo o território libanês. Enfatizaram a declaração do Secretário Rubio, de 2 de junho, de que o Hezbollah não é apenas um inimigo de Israel e um inimigo dos Estados Unidos, mas sim um inimigo do Líbano.
Israel reafirmou que sua segurança e o respeito à sua integridade territorial só podem ser alcançados por meio do desarmamento do Hezbollah e do desmantelamento de sua infraestrutura em todo o Líbano. Enfatizou a importância de negociações diretas sob a liderança dos Estados Unidos para resolver todas as questões pendentes e alcançar paz e segurança duradouras.
O Líbano reafirmou a necessidade de respeito mútuo às fronteiras internacionalmente reconhecidas, a urgência da plena implementação da cessação das hostilidades, sublinhando os princípios da integridade territorial e da plena soberania do Estado. O Líbano comprometeu-se a reforçar a capacidade das Forças Armadas Libanesas, com o apoio dos EUA, para exercer um controlo efetivo em todo o país.
As duas partes concordaram em retomar as discussões políticas e de segurança na semana de 22 de junho, com vistas a alcançar um acordo abrangente. Os Estados Unidos concordaram em continuar facilitando a comunicação entre as partes nesse ínterim.