O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro visitou seu pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar após o fim de restrições judiciais. Na reta final da disputa eleitoral, o parlamentar mudou de postura e anunciou apoio à PEC que extingue a jornada 6x1, pauta ligada ao governo Lula, alegando atender aos trabalhadores, mas cobrou compensações aos empresários. Jair cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, enquanto Flávio tenta se fortalecer politicamente para o segundo turno.
O senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) realizou nesta terça-feira (13) a primeira visita a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após o fim das medidas restritivas impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Após o encontro, ele afirmou que irá votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala de trabalho 6x1.
Flávio chegou à residência paterna, localizada em Brasília, por volta das 9h40 e permaneceu no local por até 30 minutos. O ex-mandatário cumpre pena domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
"Estou ansioso, são mais de três meses sem poder vê-lo por uma decisão, obviamente, sem critério nenhum, sem nenhuma humanidade, nenhum amparo legal", declarou o senador, citado pela CNN Brasil, antes da visita. Segundo ele, a restrição ocorreu "apenas com o intuito de tentar separar um líder político de quem está concorrendo à Presidência da República e separar o pai de um filho, o que eu acho que é o mais grave".
Em julho, Moraes determinou a proibição de Flávio visitar Bolsonaro após o candidato obter uma carta do pai e divulgá-la nas redes sociais, recaindo no descumprimento do condenado em se manifestar publicamente, seja diretamente ou por terceiros. A decisão, com prazo de 90 dias, terminou no domingo (11) e, ontem, o magistrado autorizou a retomada das visitas entre pai e filho.
O encontro presencial entre Flávio e Bolsonaro ocorre a poucos dias do segundo turno eleitoral, no próximo 25 de outubro.
Com o cumprimento da pena do ex-chefe de Estado, que também está inelegível até 2030, o filho mais velho do clã bolsonarista busca derrotar o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas urnas.
Após visitar Bolsonaro, Flávio voltou atrás e afirmou que irá votar a favor da PEC que visa acabar com a escala de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras do governo petista.
"A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então vou votar a favor", disse o candidato do PL, deixando, no entanto, uma ressalva: "Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessário a contratação de mais pessoas. Tem um risco de muita gente ir para informalidade".
Até então, Flávio se opunha à aprovação da PEC da escala 6X1, defendendo um projeto onde as horas de trabalho sejam pagas por hora.
A votação da PEC está agendada para quarta-feira (14) no Senado.