Fim da escala 6x1 é 'vitória' e dá 'impulso eleitoral' para Lula, destaca imprensa internacional

Jornais como The Guardian e Le Monde mencionam mudança de posição de Flávio Bolsonaro, opositor de Lula nas urnas, diante do apoio popular à reforma.

15 out 2026 - 06h24
(atualizado às 06h48)
Resumo
A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado foi destacada pela imprensa internacional como uma vitória política decisiva de Lula às vésperas do segundo turno. A proposta, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de salários e prevê ao menos dois dias de folga, beneficiará mais de 37 milhões de trabalhadores. Diante do forte apoio popular, a medida contou inclusive com o voto favorável da oposição, consolidando a maior reforma trabalhista do país em décadas.

A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado, na noite de quarta-feira (14/10), repercutiu na imprensa internacional como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do segundo turno.

A proposta foi aprovada em dois turnos, por 75 votos a favor e apenas um contra, e poderá ser promulgada pelo Congresso porque manteve o texto aprovado pela Câmara em maio.

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"Senado do Brasil aprova jornada de trabalho mais curta em vitória para Lula", destacou a Reuters.

A agência descreveu a medida como a maior reformulação dos direitos trabalhistas brasileiros em décadas e ressaltou que a aprovação entrega ao presidente uma importante conquista legislativa a menos de duas semanas da eleição de 25 de outubro.

A Reuters também destacou o apoio de parlamentares de diferentes campos políticos, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, que antes se opunha à mudança.

O texto citou a estimativa do governo de que mais de 37 milhões de trabalhadores com emprego formal poderão ser beneficiados pela redução do limite semanal de 44 para 40 horas.

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A Associated Press (AP) ressaltou a expectativa do presidente de fortalecer sua candidatura com a medida.

Segundo analistas e políticos citados pela AP, aliados de Bolsonaro deixaram de bloquear a proposta para evitar desgaste eleitoral do candidato diante da popularidade da mudança.

A reportagem também registrou que empresários e parlamentares defendiam uma transição de dez anos para a implementação das novas regras.

O The Guardian destacou a vitória política de Lula e a mudança de posição de Bolsonaro diante do apoio popular à reforma.

Na França, o Le Monde, em notícia com a AFP, ressaltou no título que o Parlamento aprovou a redução do tempo de trabalho prometida por Lula.

A chamada destacou a expectativa do presidente de fortalecer sua posição no segundo turno e registrou que Bolsonaro votou a favor da reforma, apesar de ter se oposto a ela.

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A Deutsche Welle, em texto produzido com informações de AP e Reuters, também apresentou a aprovação como uma vitória para Lula antes do segundo turno.

O veículo alemão destacou a redução da jornada de 44 para 40 horas e afirmou que a decisão poderia dar impulso ao presidente na disputa eleitoral.

O fim da escala 6x1 é resultado de uma campanha lançada após um vídeo do então balconista de farmácia Rick Azevedo viralizar no final de 2023. Ele foi eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL no ano seguinte e acaba de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, que assumirá em 2027.

Com o impacto do desabafo de Azevedo nas redes sociais, o fim da escala 6x1 tomou proporções nacionais como demanda de trabalhadores, com apoio da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em fevereiro de 2025, ela apresentou uma PEC que foi juntada a outra, apresentada em 2019 pelo então deputado petista Reginaldo Lopes e que havia sido "engavetada" pelo Congresso.

Lula e Flávio se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro
Lula e Flávio se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O que muda com o fim da escala 6x1

O texto aprovado no Senado é idêntico ao que teve aval da Câmara em maio — qualquer alteração exigiria que a PEC fosse submetida à nova análise pelos deputados. Mudanças na Constituição só entram em vigor quando o texto é aprovado de forma idêntica nas duas casas legislativas.

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A proposta prevê que a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga entre em vigor 60 dias depois da promulgação da alteração constitucional, etapa que ocorre logo após a aprovação no Congresso.

Já a redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas entraria em vigor em duas etapas. Primeiro, haveria a redução para 42 horas, também após os 60 dias. O limite de 40 horas seria alcançado após mais um ano.

A mudança também prevê que os trabalhadores beneficiados não sofrerão redução salarial.

Davi Alcolumbre, rodeado por parlamentares, ao anunciar aprovação do fim da escala 6x1
Foto: REUTERS/Adriano Machado / BBC News Brasil
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