O ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa demonstrou interesse em fazer uma delação premiada e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua transferência da Penitenciária da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, disseram nesta terça-feira duas fontes ligadas a ele e ao STF ouvidas pela Reuters.
Procurada, a defesa do ex-dirigente do BRB não quis comentar o pedido. O ministro André Mendonça, relator do caso, ainda não tomou uma decisão.
Os advogados de Paulo Henrique Costa disseram ao Supremo que gostariam de ter um espaço reservado para encontros com seus defensores, destacando que o cliente "sinalizou interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada", segundo texto do pedido visto pela Reuters.
"A formalização de proposta de colaboração, todavia, depende da convergência de alguns fatores: (primeiro) a voluntariedade do candidato a colaborador; (segundo) uma avaliação técnica quanto à possibilidade de eventuais relatos e fontes de prova atingirem patamares suficientes para referida candidatura; e (terceiro) uma tomada de decisão esclarecida do candidato tanto quanto aos requisitos legais, como quanto aos vetores que podem levar à perda do acordo, bem assim das consequências de uma rescisão", argumentou.
A decisão de Paulo Henrique Costa ocorreu dias após a Segunda Turma do Supremo ter mantido, por unanimidade, a prisão preventiva dele após ter sido preso em operação envolvendo desdobramentos das investigações sobre fraudes no BRB com o Banco Master.
O ex-dirigente do BRB foi preso preventivamente na quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Master e a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público controlado pelo governo do Distrito Federal.
Afastado do comando do BRB na primeira fase da operação, Paulo Henrique Costa apareceu na quarta fase, segundo troca de mensagens obtidas nas investigações, discutindo o recebimento de uma eventual propina com o grupo do dono do Master, Daniel Vorcaro, no valor de R$146,5 milhões por meio da aquisição de imóveis.
No momento, Vorcaro -- também preso preventivamente - também busca um acordo de delação premiada.
(Edição de Eduardo Simões)