O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, acertaram que o brasileiro fará uma visita a Washington assim que Lula voltar de uma série de viagens à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro.
O assunto foi discutido durante uma ligação telefônica entre Trump e Lula realizada nesta segunda-feira (26/1), segundo nota divulgada Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom).
A data exata da viagem, no entanto, ainda não foi acordada, segundo a nota e segundo um integrante do governo com quem a BBC News Brasil conversou em caráter reservado.
Esta é a terceira vez que os dois trocam telefonemas desde que se aproximaram politicamente, em setembro do ano passado, quando puseram um fim, ao menos temporariamente, a um período de tensão que chegou ao ápice quando Trump anunciou um tarifaço de 40% a produtos brasileiros, em julho do ano passado.
Desde setembro, quando se encontraram durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, uma visita oficial de Lula a Washington já vinha sendo estudada pelos dois governos.
Caso a visita se concretize, será a segunda ida de Lula à capital norte-americana no seu atual mandato. Em fevereiro de 2023, ele foi recebido pelo então presidente, Joe Biden, na Casa Branca.
Conselho de Paz e Venezuela
Segundo a nota divulgada pela Secom, Lula e Trump também conversaram sobre a situação política da Venezuela e sobre o Conselho de Paz lançado por Trump na semana passada.
Foi a primeira vez que os dois conversaram desde a operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano que resultou na prisão do então presidente do país, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores.
Sobre a Venezuela, a nota afirma que "o presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano".
Nos bastidores, diplomatas com os quais a BBC News Brasil conversou reservadamente sobre o assunto, afirmavam que a ação militar na Venezuela acendeu um sinal de alerta junto ao governo brasileiro pelo temor de que intervenções deste tipo pudessem desestabilizar a região.
Sobre o Conselho de Paz, a nota diz que o presidente Lula sugeriu a Trump que o organismo se restringisse à reconstrução e pacificação na Faixa de Gaza, como previsto na resolução do Conselho de Segurança da ONU endossada em novembro do ano passado e que previa a criação do Conselho de Paz de Trump.
Nos últimos dias, porém, documentos como a carta de fundação do organismo e discursos feitos por Trump levantaram suspeitas e críticas de analistas de que o Conselho de Paz poderia, na verdade, substituir a ONU como organismo de resolução de conflitos em escala global.
"Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança", diz um trecho da nota.
Na semana passada, Lula já havia deixado claro que via a proposta com reservas.
"O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU em que ele, sozinho, é o dono da ONU", disse durante um discurso realizado na Bahia.