Derrota expressiva de Flávio Bolsonaro torna improvável anulação da eleição, dizem fontes e analistas

26 out 2026 - 15h26
Resumo
Após ser derrotado por Lula por mais de 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro recusou-se a reconhecer o resultado e indicou que pedirá a anulação da eleição, contestando a prorrogação da votação autorizada pelo STF. No entanto, fontes jurídicas e analistas consideram improváveis as chances de sucesso do pedido, dada a ampla vantagem do petista e o impacto residual do tempo extra nas urnas. O presidente do TSE também descartou irregularidades, enquanto líderes mundiais já parabenizaram Lula.

A magnitude da derrota ‌de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial de domingo, com o senador ficando mais de 4 milhões de votos atrás, torna improvável que seus esforços para anular a votação tenham sucesso, segundo fontes e analistas.

Flávio seguiu o exemplo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, ao ⁠se recusar a reconhecer a derrota para Lula, que conquistou um quarto mandato histórico.    

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O senador questionou uma decisão ‌tomada no final da tarde do domingo pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação por duas horas devido a alegados problemas no deslocamento de eleitores. O senador ‌afirmou que pediria a anulação da eleição.

"É impossível reconhecer o resultado ‌das eleições no contexto que as coisas aconteceram. Vamos pedir a anulação", disse Flávio a ⁠jornalistas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar Lula vencedor no domingo. Flávio lembrou que Zanin foi indicado por Lula para o STF.

De acordo com três fontes ouvidas pela Reuters, duas do TSE e uma do STF, são remotas as chances de prosperar uma eventual tentativa de anulação das eleições de domingo por parte de Flávio, uma vez que a diferença de votos foi expressiva e o próprio presidente ‌do TSE, Kassio Nunes Marques, já descartou qualquer problema. Nunes Marques foi indicado ao STF por Jair ‌Bolsonaro.

Menos de 35 mil votos, ou ⁠cerca de 0,03% do ⁠total, foram registrados nas duas horas extras de votação determinadas pelo STF, de acordo com uma análise dos registros ⁠eleitorais feita pelo professor Pedro Burgos, do Insper.

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"Do ponto de ‌vista prático considero muito pouco ‌provável que esse pedido seja acolhido. Não diria que é impossível, mas a possibilidade é bastante remota", disse Rubens Beça, mestre e doutor em Direito Constitucional e professor da USP.

"Para que a anulação fosse admitida, seria necessário demonstrar, na análise do tribunal, que a quantidade de votos ⁠potencialmente afetados pela decisão, nas seções que permaneceram abertas entre 17h e 19h, seria suficiente para alterar o resultado da eleição. Ocorre que a diferença de votos foi expressiva." 

A petição de Flávio também é enfraquecida pelo fato de que sua campanha também solicitou uma prorrogação da votação devido às fortes chuvas na região sul, de tendência conservadora.

A Reuters procurou ‌a defesa da campanha de Flávio no TSE para verificar se vão mesmo tentar anular a votação do segundo turno, mas não obteve resposta de imediato.

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A recusa do senador em reconhecer a derrota ⁠pode desencadear protestos em um país onde a confiança no sistema eleitoral e na independência judicial têm sido abalada nos últimos anos, afirmam observadores.

Jair Bolsonaro mergulhou o Brasil em uma profunda crise democrática após a eleição de 2022, quando seus apoiadores invadiram as sedes dos Três Poderes em protesto contra o resultado. Posteriormente, ele foi condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado.

Enquanto Flávio se prepara para eventualmente contestar o resultado, líderes mundiais rapidamente se manifestaram para reconhecer a vitória de Lula, com mensagens de parabéns chegando da União Europeia, do México, da França, do Canadá, da Índia e da Rússia.

Presidentes de direita recém-eleitos na Colômbia, no Peru e no Chile também se juntaram ao grupo de líderes que reconheceram os resultados de domingo, mas o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permaneceu em silêncio.

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